Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento no RN

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante com 40 semanas é admitida em trabalho de parto. Consultando o cartão de pré-natal, na sala de parto, o pediatra identifica apenas uma consulta no primeiro trimestre, sem realização de sorologias para HIV e sífilis. O bebê nasce chorando, Apgar 9/9, peso de nascimento de 3.500g. As sorologias da mãe na admissão evidenciam anti- HIV negativo e VDRL= 1/128. A conduta recomendada para este recém-nascido é realizar punção lombar, radiografia de ossos longos, hemograma e VDRL no sangue periférico e se:

Alternativas

  1. A) apresentar alteração liquórica, administrar penicilina procaína 10 dias ambulatorialmente
  2. B) todos exames normais e VDRL negativo, administrar uma dose de penicilina procaína e garantir acompanhamento ambulatorial na alta
  3. C) todos exames normais e VDRL negativo, administrar uma dose de penicilina G benzatina e garantir acompanhamento ambulatorial na alta 
  4. D) todos exames normais e VDRL negativo, administrar penicilina cristalina endovenosa 10 dias 

Pérola Clínica

Sífilis congênita: VDRL materno alto + pré-natal inadequado → investigar RN e tratar com Penicilina G benzatina se exames normais.

Resumo-Chave

Diante de VDRL materno ≥ 1:8 e pré-natal inadequado, o RN é considerado de alto risco para sífilis congênita. A propedêutica completa (punção lombar, RX ossos longos, hemograma, VDRL RN) é obrigatória. Se todos os exames forem normais e o VDRL do RN for negativo, uma dose única de Penicilina G benzatina é o tratamento indicado.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave, prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. A prevenção eficaz depende de um pré-natal adequado, com rastreamento e tratamento oportuno da gestante. No cenário apresentado, a gestante com pré-natal inadequado e VDRL alto (1:128) na admissão coloca o recém-nascido em alto risco para sífilis congênita. Diante de um RN de alto risco, mesmo que assintomático, é imperativa uma investigação completa para determinar a necessidade e o esquema terapêutico. Essa investigação inclui VDRL no sangue periférico do RN, hemograma completo, radiografia de ossos longos (para identificar osteocondrite ou periostite) e punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), buscando sinais de neurossífilis. A conduta terapêutica varia conforme os achados. Se todos os exames forem normais (incluindo VDRL do RN negativo e LCR normal), o tratamento indicado é uma dose única de Penicilina G benzatina (50.000 UI/kg IM), seguida de acompanhamento ambulatorial rigoroso. A Penicilina cristalina endovenosa por 10 dias é reservada para casos de sífilis congênita confirmada ou com alterações nos exames que sugiram doença ativa, especialmente neurossífilis. É fundamental que residentes dominem esses protocolos para evitar sequelas graves no RN.

Perguntas Frequentes

Quando um recém-nascido é considerado de alto risco para sífilis congênita?

Um RN é de alto risco quando a mãe tem sífilis não tratada, inadequadamente tratada ou com VDRL ≥ 1:8 no parto, especialmente se o pré-natal foi inadequado ou ausente.

Quais exames devem ser realizados em um recém-nascido com suspeita de sífilis congênita?

A propedêutica completa inclui VDRL no sangue periférico do RN, hemograma, radiografia de ossos longos e punção lombar para análise do líquor (VDRL, celularidade, proteínas).

Qual o tratamento para sífilis congênita em um RN com exames normais, mas alto risco?

Se todos os exames forem normais e o VDRL do RN for negativo, a conduta é administrar uma dose única de Penicilina G benzatina (50.000 UI/kg IM) e garantir acompanhamento ambulatorial.

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