HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2015
Recém-nascido a termo, com peso adequado para idade gestacional, de parto cesárea, peso de nascimento 3500 g, Apgar 9-9, liberado para alojamento conjunto. Durante análise de exames maternos do pré-natal, evidenciou presença de VDRL positivo no terceiro trimestre. Puérpera refere que ela e seu parceiro realizaram tratamento com uma dose de penicilina benzatina há 20 dias antes do parto. Nesta situação, está indicado considerar o tratamento dos pais:
Sífilis materna tratada < 30 dias antes do parto ou parceiro não tratado = tratamento inadequado; RN deve ser investigado e tratado com Penicilina Cristalina IV.
O tratamento materno para sífilis é considerado inadequado se realizado menos de 30 dias antes do parto ou se o parceiro não foi tratado. Nesses casos, o recém-nascido é considerado exposto e deve ser submetido a uma investigação completa (hemograma, VDRL, líquor, radiografia de ossos longos) e iniciar tratamento com Penicilina Cristalina Venosa, independentemente dos resultados iniciais dos exames do RN, devido ao risco de sífilis congênita.
A sífilis congênita é uma doença grave, evitável, que resulta da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe infectada para o feto durante a gestação. A prevenção é baseada no diagnóstico e tratamento adequado da sífilis na gestante e seu parceiro. No entanto, mesmo com tratamento materno, a adequação da terapia é um fator crítico para determinar a conduta no recém-nascido. O tratamento é considerado inadequado se a gestante foi tratada menos de 30 dias antes do parto, se o esquema terapêutico foi incorreto, ou se o parceiro sexual não foi tratado. Nesses casos de tratamento materno inadequado, o recém-nascido é considerado de alto risco para sífilis congênita e deve ser submetido a uma investigação diagnóstica completa. Esta investigação inclui hemograma completo com plaquetas, VDRL no soro do recém-nascido, análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) por punção lombar e radiografia de ossos longos para buscar sinais de osteocondrite ou periostite. Independentemente dos resultados iniciais desses exames, o tratamento empírico com Penicilina Cristalina G aquosa intravenosa por 10 dias deve ser iniciado imediatamente, devido à alta morbidade e mortalidade associadas à sífilis congênita não tratada. A importância de uma conduta rigorosa reside na prevenção de sequelas neurológicas, ósseas e multissistêmicas que a sífilis congênita pode causar. A Penicilina Cristalina G é a droga de escolha por sua eficácia e capacidade de atingir concentrações terapêuticas no LCR. O acompanhamento sorológico do recém-nascido é fundamental após o tratamento para confirmar a cura e descartar falha terapêutica, garantindo o melhor prognóstico possível.
O tratamento materno é considerado inadequado se realizado menos de 30 dias antes do parto, se a dose ou esquema foram incorretos, se não houve queda dos títulos de VDRL após o tratamento, ou se o parceiro sexual não foi tratado simultaneamente, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
A investigação completa inclui hemograma com plaquetas, VDRL no soro do RN, análise do líquido cefalorraquidiano (punção lombar), radiografia de ossos longos e, em alguns casos, avaliação oftalmológica e auditiva para identificar sinais de acometimento.
O tratamento padrão para sífilis congênita comprovada ou altamente provável é a Penicilina Cristalina G aquosa intravenosa, administrada por 10 dias, devido à sua excelente penetração no sistema nervoso central e alta eficácia contra o Treponema pallidum.
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