UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
Julgue o item que se segue, relativos a doenças infecciosas na infância e na adolescência.Considere o seguinte caso clínico.O exame de VDRL de uma parturiente no período pós-parto foi positivo. A paciente reportou que havia tido sífilis sete anos atrás, tendo feito tratamento conforme recomendação médica; informou, ainda, que, após doze meses, o resultado do VDRL tinha sido positivo 1/2 e que, na gestação atual, ela não havia feito testagem para sífilis. O teste treponêmico e o TPHA da parturiente feitos após o exame de VDRL pós-parto foram positivos. No recém-nascido, o teste treponêmico e o TPHA foram positivos, e o VDRL positivo 1/1.No caso clínico descrito, o médico deverá concluir que o recém-nascido está infectado; portanto, o profissional procederá à coleta de líquido cefalorraquidiano para exame, incluindo o VDRL, realizará radiografia de ossos longos, e iniciará tratamento do bebê com penicilina cristalina na dose de 100.000 UI/kg/dia durante dez dias.
RN com VDRL 1/1 e mãe com VDRL 1/2 (tratada há 7 anos) + treponêmicos positivos → RN NÃO necessariamente infectado. VDRL RN < VDRL materno.
O VDRL do recém-nascido (1/1) é menor que o VDRL da mãe (1/2), o que sugere transferência passiva de anticorpos maternos e não necessariamente infecção ativa do RN. Para considerar o RN infectado, o título do VDRL do RN deveria ser 4 vezes maior que o da mãe ou o VDRL materno não ter caído 2 diluições após tratamento. Além disso, a mãe não foi testada na gestação atual, o que é um fator de risco. A conduta proposta de tratamento e exames invasivos é precipitada sem a confirmação de infecção ativa.
A sífilis congênita é uma doença grave resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto durante a gestação. Sua prevenção depende do diagnóstico e tratamento adequados da sífilis materna durante o pré-natal. A epidemiologia da sífilis congênita no Brasil ainda é preocupante, refletindo falhas no rastreamento e manejo da sífilis em gestantes. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e envolve a interpretação de testes sorológicos (VDRL e treponêmicos) do RN em conjunto com a história materna de sífilis e tratamento. Um VDRL positivo no RN pode refletir apenas a transferência passiva de anticorpos maternos. Para confirmar a infecção, o título do VDRL do RN deve ser pelo menos 4 vezes maior que o materno, ou o RN apresentar manifestações clínicas/laboratoriais da doença. Testes treponêmicos no RN podem permanecer positivos por mais de um ano devido à passagem passiva de anticorpos. A conduta terapêutica para sífilis congênita é a penicilina cristalina, com duração e dose dependendo da classificação de risco e da presença de alterações em exames complementares (LCR, radiografia de ossos longos). É fundamental evitar o tratamento desnecessário de recém-nascidos que apenas possuem anticorpos maternos, mas também não subestimar o risco de infecção em casos de tratamento materno inadequado ou ausente.
Um VDRL positivo no RN indica sífilis congênita se o título for 4 vezes maior que o título materno, ou se o VDRL materno não tiver caído 2 diluições após tratamento adequado, ou se houver evidência clínica/laboratorial de doença no RN.
Na suspeita de sífilis congênita, exames como hemograma completo, radiografia de ossos longos, avaliação do líquido cefalorraquidiano (VDRL, celularidade, proteínas) e ultrassonografia de abdome podem ser indicados para estadiamento da doença.
A história de tratamento materno é crucial. Um tratamento adequado, documentado e com queda dos títulos de VDRL, reduz significativamente o risco de sífilis congênita. A ausência de testagem na gestação atual ou tratamento inadequado da mãe são fatores de risco importantes.
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