Manejo do RN Exposto à Sífilis: Critérios de Tratamento

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente nascido a termo, 39 semanas com peso 3289g, apgar 9/10 e mãe com pré-natal realizado na UBS com exames realizados no pré-natal sendo iniciado no 1 trimestre com 10 semanas de gestação sendo que na consulta foi verificado que exame de teste rápido para sífilis foi positivo e com VDRL 1/256. Refere que teve relação há uns 4 meses e apresentou quadro de febre com exantema há 1 semana, sendo então, prescrito tratamento com 1 dose de penicilina benzatina 2 400 000 no dia 19/02/2024. Realizado VDRL em abril com resultado 1/128 e em julho 1/64. No dia do parto em setembro 2024, realizado teste rápido com exame positivo e VDRL 1/32. Realizado exame do VDRL do RN com resultado 1/16. Com base nesta história, qual a conduta a ser realizada com relação ao RN:

Alternativas

  1. A) Mãe inadequadamente tratada pois não houve a prescrição correta do tratamento com3 doses de penicilina benzatina e RN deve ser conduzido como sífilis congênita
  2. B) Mãe adequadamente tratada, porém como o RN teve VDRL positivo, deve ser coletado exames para investigação de sífilis congênita
  3. C) Mãe adequadamente tratada, RN deve ser conduzido como exposição vertical à sífilis não sendo necessário coletar exames de hemograma, liquor, RX de ossos longos
  4. D) Mãe inadequadamente tratada pois VDRL deveria ser negativo já que se tratada de sífilis latente recente

Pérola Clínica

Mãe tratada + VDRL RN < Materno + RN assintomático = Apenas seguimento clínico.

Resumo-Chave

O tratamento materno é adequado se realizado com penicilina benzatina, iniciado até 30 dias antes do parto, com doses corretas para o estágio e queda documentada de títulos.

Contexto Educacional

A sífilis na gestação permanece um desafio de saúde pública. O diagnóstico precoce e o tratamento correto da gestante são fundamentais para prevenir a sífilis congênita. O caso clínico apresenta uma gestante com sífilis secundária (febre e exantema) tratada com penicilina, apresentando queda de títulos de 1/256 para 1/32 no parto. Como o RN é assintomático e possui VDRL (1/16) menor que o materno, ele é classificado como exposto, não necessitando de propedêutica armada imediata. A conduta baseia-se nas diretrizes do Ministério da Saúde, que priorizam a avaliação do tratamento materno e o exame físico do neonato. A redução de pelo menos duas diluições no VDRL materno é um marcador de resposta terapêutica, e a ausência de sinais clínicos no RN, associada a títulos sorológicos baixos, permite o acompanhamento conservador.

Perguntas Frequentes

O que define o tratamento adequado da gestante com sífilis?

O tratamento é considerado adequado quando realizado com penicilina benzatina (única droga eficaz para o feto), iniciado pelo menos 30 dias antes do parto, com esquema posológico correto para o estágio clínico da infecção e com queda documentada dos títulos de VDRL após o tratamento. Além disso, deve-se avaliar o risco de reinfecção pelo parceiro.

Como interpretar o VDRL do recém-nascido?

O VDRL do RN deve ser realizado em sangue periférico (nunca de cordão). Se o título do RN for duas ou mais diluições maior que o materno (ex: RN 1/16 e mãe 1/4), o diagnóstico de sífilis congênita é altamente provável. Se for menor ou igual, e a mãe foi adequadamente tratada, o RN é considerado apenas exposto.

Qual o seguimento para o RN exposto à sífilis?

Para RNs de mães adequadamente tratadas, assintomáticos e com VDRL menor ou igual ao materno, a conduta é o seguimento clínico ambulatorial com realização de VDRL seriado (geralmente aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses) para garantir a negativação dos anticorpos maternos transferidos passivamente.

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