UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Em maternidade, nasceu uma criança cuja mãe apresenta história de sífilis tratada durante o pré-natal (diagnóstico por VDRL 1:32). A mãe refere que fez uso de 2.400.000 UI de penicilina benzatina, durante 3 semanas seguidas (intervalos de 7 dias entre as doses). O parceiro não recebeu tratamento, mas a mãe refere que não teve mais relação sexual com ele. O VDRL da mãe no momento do parto da mãe foi 1:2, e do RN, após o nascimento, foi não reagente. Ao exame físico, o recém-nascido encontra-se assintomático. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.
RN assintomático, VDRL não reagente, mãe tratada adequadamente e VDRL ↓ → Acompanhamento laboratorial, não tratamento imediato.
Neste caso, a mãe foi tratada adequadamente para sífilis (3 doses de penicilina benzatina com queda do VDRL) e o RN é assintomático com VDRL não reagente. Não há indicação de sífilis congênita confirmada ou provável, mas o acompanhamento laboratorial é essencial para descartar sífilis congênita tardia ou falha terapêutica.
A sífilis congênita é uma condição grave que pode ser prevenida com o diagnóstico e tratamento adequados da gestante durante o pré-natal. A avaliação do recém-nascido de mãe com sífilis é complexa e depende de múltiplos fatores, incluindo a adequação do tratamento materno, a titulação do VDRL materno no parto, a titulação do VDRL do RN e a presença de sinais clínicos no neonato. No caso apresentado, a mãe recebeu tratamento adequado (3 doses de penicilina benzatina com queda da titulação do VDRL de 1:32 para 1:2), e o recém-nascido é assintomático com VDRL não reagente. Nessas circunstâncias, o risco de sífilis congênita é baixo. A conduta não é iniciar tratamento empírico, mas sim realizar um acompanhamento laboratorial rigoroso com VDRL seriado (1, 3, 6, 12 e 18 meses) para monitorar a soroconversão ou a persistência de anticorpos maternos. A notificação como caso de sífilis congênita e o tratamento imediato com penicilina cristalina são reservados para situações de maior risco, como tratamento materno inadequado, VDRL do RN 4x maior que o materno, ou presença de sinais clínicos. A investigação complementar com radiografia de ossos longos e análise do líquor é indicada se houver suspeita de sífilis congênita confirmada ou provável.
Um RN é caso de sífilis congênita se apresentar sinais clínicos, se o VDRL for 4x maior que o materno, se houver alterações liquóricas/radiológicas, ou se a mãe não foi tratada adequadamente ou o parceiro não foi tratado.
O VDRL no RN é crucial. Se for não reagente e o RN assintomático, e a mãe foi bem tratada, indica baixo risco. Se reagente, deve ser comparado com o materno para avaliar a possibilidade de sífilis congênita.
O parceiro não tratado indica risco de reinfecção materna, mesmo que ela refira não ter tido mais relações. A reinfecção pode levar à falha terapêutica e transmissão vertical, exigindo uma avaliação mais rigorosa do RN.
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