Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento no RN

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Recém-nascido a termo e adequado para a idade gestacional está no alojamento conjunto em investigação para sífilis congênita. O recém-nascido é assintomático. Exame físico sem alterações. Peso de nascimento de 2.900g. Realizados os seguintes exames complementares: Hemograma: sem alterações. VDRL sérico 1:8; Radiografia de ossos longos: dentro da normalidade. Líquor: celularidade de 6 células/mm³ (valor de referência de 0 a 32 cels/mm³); proteínas de 250mg/dL (valor de referência de 20 a 170mg/dL); VDRL não reator. A mãe do recém-nascido realizou tratamento para sífilis 10 dias antes do parto com Penicilina Benzatina (2.400.000 UI) por apresentar VDRL 1:16. A CONDUTA em relação a este recém-nascido, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde (2019), é:

Alternativas

  1. A) acompanhamento clínico e sorológico, sem tratamento.
  2. B) tratamento com dose única de penicilina benzatina, via intramuscular.
  3. C) tratamento com penicilina cristalina por 10 dia, via endovenosa.
  4. D) tratamento com penicilina procaína por sete dias, via intramuscular.

Pérola Clínica

Sífilis congênita: RN assintomático, mãe tratada inadequadamente (10d antes parto) + líquor alterado (proteínas ↑) → Penicilina Cristalina EV 10 dias.

Resumo-Chave

A mãe foi tratada inadequadamente (menos de 30 dias antes do parto). O RN tem VDRL sérico reator (1:8) e, embora assintomático, apresenta alteração no líquor (proteínas elevadas, mesmo com celularidade e VDRL não reatores). A alteração liquórica, mesmo isolada, indica neurosífilis e exige tratamento completo com Penicilina Cristalina EV por 10 dias.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave, transmitida verticalmente, que pode causar sequelas irreversíveis no recém-nascido. A prevenção e o tratamento adequados da gestante são cruciais, mas quando a transmissão ocorre, o diagnóstico e tratamento do RN devem seguir rigorosos protocolos, como os do Ministério da Saúde. A avaliação do recém-nascido envolve a análise do tratamento materno, exame físico do RN e exames complementares, incluindo VDRL sérico, hemograma, radiografia de ossos longos e, fundamentalmente, o líquor. A interpretação dos resultados do líquor é um ponto crítico. Mesmo que o VDRL liquórico seja não reator e a celularidade esteja dentro dos limites de referência, a elevação isolada das proteínas no líquor (acima de 170 mg/dL em RN a termo ou 250 mg/dL em prematuros) é um critério para diagnóstico de neurosífilis. Isso reflete um processo inflamatório no sistema nervoso central, exigindo tratamento completo. Neste caso, a mãe foi tratada inadequadamente (10 dias antes do parto), e o RN, embora assintomático, apresenta proteínas liquóricas elevadas. Conforme as diretrizes, essa combinação configura neurosífilis, e a conduta é o tratamento com Penicilina Cristalina G endovenosa por 10 dias. É vital para o residente dominar esses critérios para evitar subtratamento e suas graves consequências.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar o tratamento materno da sífilis como inadequado?

O tratamento materno é considerado inadequado se a penicilina não foi a droga de escolha, se a dose ou esquema foram incompletos, se o tratamento foi realizado menos de 30 dias antes do parto, se houve reinfecção materna ou se não houve documentação do tratamento.

Quando o líquor do recém-nascido deve ser avaliado na investigação de sífilis congênita?

O líquor deve ser avaliado em recém-nascidos com sífilis congênita confirmada ou provável, especialmente se houver manifestações clínicas, se a mãe teve tratamento inadequado ou não realizado, ou se o VDRL sérico do RN for 4 vezes maior que o materno.

Qual o esquema de tratamento para neurosífilis congênita?

O esquema de tratamento para neurosífilis congênita é Penicilina Cristalina G aquosa, 50.000 UI/kg/dose, endovenosa, a cada 12 horas nos primeiros 7 dias de vida e a cada 8 horas após o 7º dia, por um total de 10 dias.

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