Sífilis Congênita: Protocolo de Tratamento e Conduta Neonatal

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

"Mariana inicia trabalho de parto, 39 semanas de gestação. Chega à UBS com contrações 2 em 10, com dilatação 3 cm, com perda vaginal de secreção serosanguinolenta (tampão mucoso). DR. Guilherme entra em contato com o serviço da Maternidade para receber Mariana. Ao adentrar na Maternidade, Paulo é barrado e não permitem sua entrada. Mariana ganha Alice, nascida de parto normal, PN: 3.215g, E: 50cm, PC: 36cm, apgar: 8 e 9. Foi para alojamento conjunto, tendo alta da Maternidade com 72h. Foi orientada a realizar o teste do pezinho na Unidade Básica de Saúde mais próxima à sua casa". Ainda na Maternidade, o pediatra avalia a recém-nascida (RN) de Mariana, observa o cartão de pré-natal, verifica a infecção por sífilis e que o tratamento foi realizado conforme o protocolo do Ministério da Saúde. Diante de um caso de sífilis congênita de RN, qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Se RN apresentar VDRL positivo com titulação superior ao materno com Líquido Cefalorraquidiano (LCR sem alterações, não há necessidade de tratar o RN).
  2. B) Se RN for assintomático com exames normais (clínico, hemograma e LCR, VDRL positivo com titulação igual ou inferior à titulação materna, tratar com penicilina benzatina 03 doses de 50.000 UI intramuscular, com intervalo de 07 dias cada.
  3. C) Se RN apresentar VDRL positivo com titulação superior ao materno e com alterações no LCR, realizar tratamento com penicilina cristalina endovenosa por 10 dias, em internação hospitalar.
  4. D) Se RN for assintomático, exames normais (clínico, hemograma e LCR, VDRL positivo com titulação igual ou superior ao materno, tratar com penicilina G benzatina, 03 doses de 50.000 UI intramuscular, com intervalo de 07 dias cada.

Pérola Clínica

RN com VDRL > materno (2 diluições) ou LCR alterado → Penicilina Cristalina EV por 10 dias.

Resumo-Chave

O tratamento da sífilis congênita é determinado pela titulação do VDRL neonatal em relação ao materno e pela presença de alterações no líquor ou exames clínicos.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma condição evitável que resulta da transmissão vertical do Treponema pallidum. O manejo do recém-nascido é rigoroso e depende fundamentalmente do histórico pré-natal e da avaliação laboratorial neonatal. A Penicilina G Cristalina é o padrão-ouro para casos com envolvimento do sistema nervoso central ou alta carga treponêmica, devido à sua capacidade de atingir níveis terapêuticos no líquor. O Ministério da Saúde do Brasil atualiza periodicamente essas diretrizes para reduzir a morbimortalidade. É crucial que o médico assistente saiba diferenciar as indicações de Penicilina Cristalina (endovenosa), Penicilina Procaína (intramuscular) e Penicilina Benzatina, garantindo que nenhum neonato com risco de neurossífilis receba tratamento subótimo.

Perguntas Frequentes

Quando indicar Penicilina Cristalina no recém-nascido?

A Penicilina G Cristalina está indicada sempre que houver suspeita de neurossífilis (alteração no LCR, como pleocitose ou hiperproteinorraquia) ou quando o recém-nascido apresentar VDRL com titulação superior à materna em pelo menos duas diluições (ex: materno 1:4 e RN 1:16). Também é utilizada em RNs sintomáticos ou com alterações em outros exames complementares (hemograma, raio-x de ossos longos) quando o tratamento materno foi inadequado.

O que é considerado tratamento materno adequado para sífilis?

Para ser considerado adequado, o tratamento materno deve: 1) Ser realizado com Penicilina Benzatina; 2) Ter a dose apropriada para o estágio da sífilis; 3) Ter sido finalizado pelo menos 30 dias antes do parto; 4) Ter documentação de queda na titulação do VDRL. Se qualquer um desses critérios não for preenchido, o RN deve ser submetido a uma investigação completa.

Como interpretar o VDRL do recém-nascido?

O VDRL do RN deve ser realizado em sangue periférico (nunca sangue de cordão). Uma titulação maior que a da mãe em duas ou mais diluições é sinal de infecção ativa. Se a titulação for igual ou menor, e o RN for assintomático com exames normais, a conduta dependerá da adequação do tratamento materno, podendo variar desde apenas acompanhamento até o uso de Penicilina Benzatina em dose única.

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