Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento em RN

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um recém-nascido (RN) de 24 horas de vida é avaliado em 17/12/2023. Filho de mãe com diagnóstico de sífilis durante a gestação, tratada com 3 doses de penicilina benzatina nas datas de 27/11/2023, 04/12/2023 e 11/12/2023. VDRL antes do tratamento com titulação 1:64. Seu parceiro também foi tratado. Ao exame físico, o RN está em bom estado geral e sem alterações.Realizados exames na maternidade:VDRL (mãe): 1:16VDRL (RN): 1:4Líquor (RN): 17 células (predomínio linfomonocitário), 89 mg/dL de proteinorraquia, 55 mg/dL de glicorraquiaHemograma (RN) sem alteraçõesRadiografia de ossos longos (RN) sem alteraçõesRadiografia de tórax (RN) sem alteraçõesConsiderando as informações apresentadas e o protocolo vigente de sífilis congênita do Ministério da Saúde, é correto afirmar que esse RN apresenta

Alternativas

  1. A) sífilis congênita descartada, sem necessidade de tratamento.
  2. B) exposição à sífilis, com necessidade de penicilina benzatina dose única.
  3. C) sífilis congênita recente com neurossífilis, com necessidade de tratamento com penicilina cristalina por 10 dias.
  4. D) sífilis congênita recente sem neurossífilis, com necessidade de tratamento com penicilina procaína ou cristalina por 10 dias.
  5. E) sífilis congênita tardia sem neurossífilis, com necessidade de tratamento com penicilina benzatina dose única.

Pérola Clínica

RN com líquor alterado (células > 5, proteína > 100 ou VDRL reativo) = neurossífilis → Penicilina Cristalina IV por 10 dias.

Resumo-Chave

De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, um recém-nascido com sífilis congênita e líquor alterado (contagem de células > 5 células/mm³ ou proteinorraquia > 100 mg/dL ou VDRL reativo no líquor) deve ser tratado como neurossífilis, exigindo penicilina cristalina intravenosa por 10 dias. No caso apresentado, 17 células no líquor indicam alteração.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. Seu diagnóstico e manejo adequados são cruciais para evitar sequelas neurológicas, ósseas e multissistêmicas no recém-nascido. O protocolo do Ministério da Saúde é a principal diretriz para a conduta no Brasil. O diagnóstico baseia-se na história materna de sífilis e tratamento, achados clínicos e laboratoriais do RN, incluindo VDRL e análise do líquor. A interpretação do líquor é um ponto-chave: alterações como aumento de células ou proteínas, ou VDRL reativo, indicam neurossífilis, que exige um regime de tratamento mais intensivo com penicilina cristalina intravenosa por 10 dias. É vital que residentes e profissionais de saúde compreendam a importância de uma avaliação completa do RN exposto à sífilis, incluindo exames laboratoriais e de imagem, para classificar corretamente o caso e instituir o tratamento adequado. A falha em diagnosticar e tratar a neurossífilis pode levar a danos irreversíveis no desenvolvimento da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um RN com sífilis congênita?

Um RN é considerado com sífilis congênita se a mãe não foi tratada, foi tratada inadequadamente, ou se o RN apresenta evidências clínicas, laboratoriais ou radiológicas da doença. VDRL do RN com título 4x maior que o materno ou VDRL reativo no líquor também confirmam o diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico de neurossífilis em recém-nascidos?

O diagnóstico de neurossífilis em RN é feito pela análise do líquor. Critérios incluem VDRL reativo no líquor, contagem de células > 5 células/mm³ ou proteinorraquia > 100 mg/dL. Qualquer um desses achados, na presença de sífilis congênita, indica neurossífilis.

Qual o tratamento para sífilis congênita com neurossífilis?

O tratamento para sífilis congênita com neurossífilis é a Penicilina Cristalina intravenosa, administrada por 10 dias. A dose e a frequência variam conforme o peso do RN. É fundamental seguir rigorosamente o esquema para erradicar a infecção do sistema nervoso central.

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