Sífilis Congênita: Manejo da Falha Terapêutica e Neurosífilis

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Gestante com VDRL positivo não fez tratamento adequado durante a gestação. Foi iniciado tratamento no recém-nascido, porém mãe descontinuou o seguimento, assim como o tratamento. Sobre a falha no tratamento da sífilis no seguimento da criança, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) As crianças deverão ser submetidas à punção lombar completa, com análise do VDRL, e tratadas durante 10 dias com penicilina parenteral, mesmo com histórico de tratamento prévio.
  2. B) É indicada por persistência da titulação reagente do teste treponêmico após 3 meses de idade e/ou aumento nos títulos do teste não treponêmico em três diluições ao longo do seguimento.
  3. C) É evidenciada por persistência da titulação reagente do teste não treponêmico após 12 meses de idade e/ou aumento nos títulos do teste não treponêmico em quatro diluições ao longo do seguimento.
  4. D) As crianças deverão realizar punção lombar completa, com análise do VDRL, e serem tratadas durante 15 dias com agente não penicilínico.

Pérola Clínica

Falha terapêutica sífilis congênita → Punção lombar + VDRL LCR + Penicilina parenteral 10 dias, mesmo com tratamento prévio.

Resumo-Chave

A falha terapêutica ou o tratamento inadequado da sífilis congênita exige uma reavaliação completa da criança, incluindo punção lombar para análise do LCR (VDRL, celularidade, proteínas) e um novo curso de tratamento com penicilina parenteral por 10 dias, devido ao risco de neurosífilis.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave, prevenível e de notificação compulsória, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe infectada para o feto. A falha no tratamento materno ou o tratamento inadequado durante a gestação, bem como o seguimento inadequado da criança, são fatores de risco para a persistência ou reativação da infecção na criança. A avaliação de falha terapêutica na sífilis congênita é complexa e baseia-se em critérios clínicos e sorológicos. A persistência de títulos reagentes de VDRL após 12 meses de idade ou um aumento de duas diluições ou mais no VDRL sérico após um tratamento inicial adequado são indicativos de falha. Nesses casos, a reavaliação completa é mandatória. A conduta diante de falha terapêutica inclui a realização de punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), buscando sinais de neurosífilis (VDRL reagente no LCR, aumento de celularidade ou proteínas). O tratamento, mesmo que a criança já tenha sido tratada previamente, deve ser reiniciado com um esquema completo de penicilina parenteral (penicilina cristalina aquosa IV por 10-14 dias ou penicilina procaína IM por 10 dias), pois a penicilina é o único fármaco com eficácia comprovada para neurosífilis. A alternativa A reflete corretamente essa conduta.

Perguntas Frequentes

Quando é considerada falha terapêutica no seguimento da sífilis congênita?

A falha terapêutica é considerada quando há persistência ou aumento dos títulos de VDRL no sangue (em duas diluições ou mais) após 6-12 meses de tratamento, ou quando há sinais clínicos de sífilis congênita que não regridem. A persistência de VDRL reagente após 12 meses de idade também pode indicar falha.

Qual a importância da punção lombar na avaliação da sífilis congênita?

A punção lombar é crucial para avaliar a presença de neurosífilis, uma forma grave da doença que afeta o sistema nervoso central. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para VDRL, celularidade e proteínas é essencial para guiar o tratamento e determinar a duração da terapia.

Qual o esquema de tratamento para sífilis congênita com falha terapêutica ou neurosífilis?

Em casos de falha terapêutica ou neurosífilis confirmada, o tratamento consiste em penicilina cristalina aquosa endovenosa por 10 a 14 dias ou penicilina procaína intramuscular por 10 dias. A penicilina é o único antibiótico comprovadamente eficaz para sífilis congênita.

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