HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Nasce uma criança de uma gestante que teve o diagnóstico de sífilis durante a gestação, tratada com penicilina benzatina, em doses adequadas, 20 dias antes do parto. O recém-nascido (RN), termo, está assintomático, apresenta exame físico normal, VDRL sérico: não reagente; hemograma normal, radiografia de ossos longos normal e líquor com 5 células/mm3 . Sua mãe apresentou VDRL com título de 1/8 (colhido pouco antes do parto). A conduta em relação a esse RN, de acordo com o Ministério da Saúde, é
Sífilis materna tratada <30 dias antes do parto → tratamento do RN com penicilina benzatina dose única.
Apesar do tratamento materno adequado em dose e tipo, o fato de ter sido realizado menos de 30 dias antes do parto (20 dias) o torna 'inadequado' para fins de prevenção da sífilis congênita, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. O líquor com 5 células/mm³ em RN a termo é limítrofe, mas sem VDRL reagente no líquor, não configura neurosífilis para tratamento prolongado.
A sífilis congênita é uma doença grave e evitável, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. É um importante problema de saúde pública no Brasil, e o manejo adequado da gestante e do recém-nascido (RN) é fundamental para prevenir sequelas. Residentes devem dominar os critérios do Ministério da Saúde para o diagnóstico e tratamento, que são frequentemente cobrados em provas. A transmissão ocorre em qualquer fase da gestação e pode levar a aborto, natimorto, prematuridade ou sífilis congênita, que pode ser assintomática ao nascimento e manifestar-se tardiamente. O diagnóstico materno é feito por testes treponêmicos e não treponêmicos (VDRL). O tratamento da gestante é com penicilina benzatina. A conduta no RN exposto à sífilis materna depende de múltiplos fatores: adequação do tratamento materno (tipo, dose, intervalo até o parto), presença de sinais clínicos no RN, resultados de exames laboratoriais (VDRL do RN, hemograma, radiografia de ossos longos) e, crucialmente, o exame do líquor. No caso apresentado, o tratamento materno foi realizado menos de 30 dias antes do parto, o que o torna 'inadequado' para fins de prevenção da sífilis congênita. Embora o líquor com 5 células/mm³ em RN a termo seja limítrofe, na ausência de VDRL reagente no líquor, a conduta padrão para sífilis congênita provável é a penicilina benzatina em dose única.
O tratamento materno é considerado inadequado se: não foi realizado, foi incompleto, foi com droga não penicilínica, não há registro do tratamento, ou se foi realizado menos de 30 dias antes do parto, ou se houve reinfecção materna.
O exame do líquor (VDRL e contagem de células) é crucial para avaliar a presença de neurosífilis. Um VDRL reagente no líquor ou uma contagem de células significativamente elevada (>25 células/mm³ ou >5 células/mm³ com outras alterações) indica neurosífilis e requer tratamento prolongado com penicilina cristalina.
O acompanhamento clínico e sorológico sem tratamento é possível apenas se o tratamento materno foi adequado (penicilina benzatina, doses corretas, iniciado >30 dias antes do parto), se a mãe não foi reinfectada, e se o RN é assintomático, com exame físico, VDRL, hemograma, radiografia de ossos longos e líquor normais.
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