Sífilis Congênita: Rastreio e Conduta no Recém-Nascido

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Recém-nascido (Rn) de 38 2/7 semanas nascido de parto normal, está em aleitamento materno no Alojamento Conjunto. Durante sua visita a mãe refere que tomou umas injeções muito doloridas no pré-natal devido a uma infecção que apareceu em um exame, e refere que o marido também precisou tomar. Qual deverá ser sua conduta frente a esse recém-nascido:

Alternativas

  1. A) Solicitar testes não treponêmico para o Rn
  2. B) Solicitar testes não treponêmico para a mãe e o Rn
  3. C) Solicitar cartão de pré-natal para confirmação de sorologias e tratamento
  4. D) Solicitar cartão de pré-natal para confirmar sorologias e tratamento e já solicitar testes não treponêmicos para a mãe e o Rn

Pérola Clínica

Mãe com tratamento pré-natal para "infecção" (sífilis?) + marido tratado → investigar sífilis congênita no RN e confirmar tratamento materno.

Resumo-Chave

A história de "injeções doloridas" no pré-natal para uma infecção que o marido também tratou é altamente sugestiva de sífilis. Nesses casos, é mandatório verificar o cartão de pré-natal para confirmar o diagnóstico e a adequação do tratamento materno. Simultaneamente, deve-se solicitar testes não treponêmicos (VDRL/RPR) para a mãe e o recém-nascido para avaliar a possibilidade de sífilis congênita.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave, transmitida verticalmente da mãe para o feto, causada pela bactéria *Treponema pallidum*. Sua prevenção depende fundamentalmente do diagnóstico e tratamento adequados da gestante durante o pré-natal. A história de "injeções doloridas" para uma infecção que o parceiro também tratou é um forte indicativo de sífilis materna, exigindo investigação imediata e detalhada para evitar as consequências devastadoras da sífilis congênita no recém-nascido. A conduta inicial frente a um recém-nascido com suspeita de sífilis congênita é crucial. Primeiramente, deve-se obter o cartão de pré-natal para verificar as sorologias maternas (VDRL/RPR e FTA-Abs) e o esquema de tratamento recebido, incluindo a data e a dose da penicilina benzatina. Simultaneamente, é imperativo solicitar testes não treponêmicos (VDRL ou RPR) para a mãe e o recém-nascido. A comparação dos títulos maternos e do RN, juntamente com a avaliação clínica e outros exames complementares, guiará o diagnóstico e a conduta terapêutica. O manejo do recém-nascido exposto à sífilis depende da adequação do tratamento materno e dos resultados dos exames do RN. Se o tratamento materno foi inadequado ou desconhecido, ou se o RN apresenta evidências clínicas ou laboratoriais de infecção, o tratamento com penicilina cristalina ou penicilina procaína é indicado. A sífilis congênita pode causar uma ampla gama de manifestações, desde assintomáticas ao nascimento até formas graves com acometimento multissistêmico, incluindo neurológico, ósseo e cutâneo, ressaltando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar o tratamento materno para sífilis como inadequado?

O tratamento materno é considerado inadequado se não foi realizado com penicilina benzatina, se a dose foi insuficiente, se houve falha no seguimento após o tratamento, se o tratamento foi iniciado menos de 30 dias antes do parto, ou se a mãe foi reinfectada após o tratamento.

Por que é importante solicitar testes não treponêmicos para a mãe e o RN?

Os testes não treponêmicos (VDRL/RPR) são importantes para avaliar a atividade da doença. No RN, um título maior que o da mãe em duas diluições ou um título positivo em RN de mãe não tratada/tratada inadequadira indica sífilis congênita. Na mãe, ajuda a confirmar a infecção e a resposta ao tratamento.

Quais as principais manifestações clínicas da sífilis congênita precoce?

A sífilis congênita precoce (até 2 anos) pode apresentar hepatoesplenomegalia, icterícia, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, rash maculopapular), rinite sifilítica, osteocondrite, pseudoparalisia de Parrot e anemia. Muitos RNs podem ser assintomáticos ao nascimento.

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