MedEvo Simulado — Prova 2026
Um recém-nascido do sexo masculino, com 3 dias de vida, nascido de parto vaginal a termo, apresenta-se ao exame físico com irritabilidade, rinite serossanguinolenta e hepatoesplenomegalia. A mãe, de 19 anos, realizou sete consultas de pré-natal, com VDRL não reagente no primeiro trimestre. Contudo, o VDRL coletado no momento do parto resultou em 1:64. Ela afirma ter recebido uma dose de penicilina benzatina 2.400.000 UI há 12 dias, porém não possui registro do tratamento no cartão de pré-natal. O parceiro não foi tratado. Foram solicitados exames complementares para o neonato: VDRL 1:128, hemograma com anemia e trombocitopenia leves, radiografia de ossos longos com periostite em tíbia bilateral. A análise do líquor revelou: celularidade de 38 células/mm³, proteinorraquia de 180 mg/dL e VDRL liquórico reagente (1:2). Considerando a definição de tratamento materno adequado e os achados do neonato, assinale a alternativa correta:
Mãe inadequada + RN com VDRL reagente ou clínica alterada = Investigação completa e Penicilina IV.
O tratamento materno é inadequado se iniciado < 30 dias do parto. Alterações no líquor (VDRL reagente) ou ossos longos (periostite) em RN de mãe inadequadamente tratada confirmam sífilis congênita.
A sífilis congênita permanece um grave problema de saúde pública, refletindo falhas na assistência pré-natal. O diagnóstico no recém-nascido é complexo e depende da história terapêutica materna, do exame físico neonatal e de exames complementares. A rinite serossanguinolenta, a hepatoesplenomegalia e a periostite de ossos longos (como a tíbia) são sinais clássicos de sífilis congênita precoce. De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, todo recém-nascido de mãe com tratamento inadequado ou não tratada deve ser submetido a uma investigação completa: hemograma, radiografia de ossos longos, avaliação oftalmológica, auditiva e punção lombar. Se houver qualquer alteração clínica ou laboratorial (como o VDRL do RN maior que o da mãe em duas diluições ou líquor alterado), o tratamento deve ser feito com Penicilina Cristalina ou Procaína por 10 dias, sendo a Cristalina mandatória se houver alteração liquórica.
Para ser considerado adequado e evitar a investigação exaustiva do recém-nascido, o tratamento materno deve: 1) Ser feito com Penicilina Benzatina; 2) Estar no esquema posológico correto para o estágio da sífilis; 3) Ter sido iniciado e finalizado pelo menos 30 dias antes do parto; 4) Ter o registro documental no cartão de pré-natal; 5) Apresentar queda documentada dos títulos de VDRL. No caso apresentado, a mãe recebeu a dose apenas 12 dias antes do parto, o que torna o tratamento inadequado.
O diagnóstico de neurossífilis neonatal é estabelecido por alterações no exame do líquido cefalorraquidiano (LCR). Os critérios incluem: VDRL reagente no líquor (qualquer titulação), ou celularidade aumentada (> 25 células/mm³), ou proteinorraquia elevada (> 150 mg/dL). No caso clínico, o RN apresentava os três critérios (VDRL 1:2, 38 células e 180 mg/dL de proteína), confirmando o envolvimento do sistema nervoso central.
O tratamento obrigatório para neurossífilis neonatal é a Penicilina G Cristalina na dose de 50.000 UI/kg/dose, administrada por via intravenosa (IV). O intervalo depende da idade: 12/12h nos primeiros 7 dias de vida e 8/8h após o 7º dia, totalizando 10 dias de tratamento. A penicilina cristalina é necessária porque atinge concentrações terapêuticas no LCR, o que não ocorre com a penicilina benzatina ou procaína de forma confiável.
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