Sífilis Congênita: Critérios Diagnósticos e Protocolo MS

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020

Enunciado

A sífilis congênita teve um aumento progressivo nos últimos anos no Brasil. Sobre esse tema, segundo o Protocolo Clínico para a Prevenção de Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites, do Ministério da Saúde, de 2018, atualizado em 2019, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A penicilina procaína é uma opção de tratamento para a criança cuja mãe não foi tratada e sem condições de coleta de líquor.
  2. B) FTA-Abs IgM é o exame de escolha para confirmar a infecção do RN, pois apresenta elevada sensibilidade.
  3. C) O diagnóstico de sífilis congênita é confirmado pela presença de VDRL reagente no sangue e alterações ósseas ou líquor alterado.
  4. D) O título de VDRL na criança maior que o título materno, em pelo menos uma diluição, confirma a infecção congênita.
  5. E) Um teste VDRL negativo em criança assintomática exclui a infecção congênita, não sendo mais necessário repetir o VDRL posteriormente.

Pérola Clínica

Diagnóstico de sífilis congênita = VDRL reagente no sangue do RN + evidência de doença (clínica, óssea, líquor).

Resumo-Chave

O diagnóstico de sífilis congênita é complexo e não se baseia apenas em um VDRL reagente no sangue do recém-nascido. É necessário correlacionar com a história materna, tratamento materno, e a presença de achados clínicos, radiológicos ou laboratoriais (líquor) que confirmem a infecção ativa no bebê.

Contexto Educacional

A sífilis congênita representa um grave problema de saúde pública no Brasil, com taxas crescentes de incidência. É uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para prevenir sequelas graves e óbito neonatal. O diagnóstico da sífilis congênita é complexo e multifatorial, não se baseando em um único exame. Envolve a análise da história materna (tratamento adequado ou não, títulos de VDRL), a presença de VDRL reagente no sangue do recém-nascido e a existência de evidências clínicas (lesões cutâneas, hepatoesplenomegalia, icterícia), radiológicas (alterações ósseas) ou laboratoriais (alterações no líquor, hemograma) de infecção ativa. Um VDRL reagente isolado pode ser devido à transferência passiva de anticorpos maternos. O tratamento de escolha é a penicilina cristalina ou procaína, dependendo do esquema e da avaliação do líquor. É fundamental que os residentes compreendam os critérios do Ministério da Saúde para o diagnóstico e tratamento, a fim de evitar tanto o subtratamento (com risco de sequelas) quanto o sobretratamento (com exposição desnecessária a antibióticos). O acompanhamento sorológico pós-tratamento é essencial para confirmar a cura.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do VDRL no diagnóstico da sífilis congênita?

O VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) é um teste não treponêmico utilizado para triagem e acompanhamento. No RN, um VDRL reagente pode indicar infecção ou transferência passiva de anticorpos maternos. O diagnóstico requer a presença de outros critérios, como evidências clínicas ou laboratoriais de doença.

Por que o FTA-Abs IgM não é o exame de escolha para sífilis congênita?

O FTA-Abs IgM não é o exame de escolha devido à sua baixa sensibilidade e especificidade em recém-nascidos, além de ser de difícil execução e interpretação, não sendo recomendado pelos protocolos atuais para diagnóstico de rotina.

Quais são as principais alterações ósseas na sífilis congênita?

As alterações ósseas na sífilis congênita incluem periostite, osteocondrite e osteíte, que podem ser detectadas por radiografias de ossos longos. São achados importantes para confirmar a infecção ativa no recém-nascido e guiar o tratamento.

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