Sífilis Congênita: Diagnóstico e Conduta em RN Exposto

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente com 9 meses de vida com história de mãe com tratamento adequado para sífilis na gestação, sendo que no primeiro trimestre, VDRL era 1/256, realizado VDRL posteriores com os seguintes valores de VDRL 1/128, 20/06 1/64 e com tratamentos comprovados nas datas 01/06, 09/06 e 17/06. RN nascido de parto normal. VDRL 1/32 e VDRl da mãe 1/32 ao nascimento. Paciente encaminhado para acompanhamento criança exposta à sífilis, porém paciente retorna somente com 9 meses de idade, pois mãe teve que ir para outra cidade e perdeu acompanhamento. Nesta consulta de retorno, paciente evoluindo bem, com peso, altura adequada para idade, bom desenvolvimento neuropsicomotor, sendo solicitado VDRl cujo resultado foi 1/16. Assinale a alternativa correta com relação à conduta adequada para esse momento.

Alternativas

  1. A) Novo VDRL em 2 meses para avaliação de queda de titulação visto que ao nascimento paciente tinha VDRL 1/32
  2. B) Solicitar outro VDRL neste momento em outro laboratório e teste treponêmico pois pode ter sido erro de leitura pois é dependente do profissional que realiza a leitura
  3. C) Internação com coleta de hemograma, rx de ossos longos e liquor para investigação de sífilis congênita
  4. D) Observação clínica e novo VDRL com 11 meses, para avaliação de negativação de VDRL e sorologia para sífilis após 1 ano de idade

Pérola Clínica

VDRL RN com titulação 4x maior que mãe OU VDRL persistente/não negativado aos 6-12 meses → investigar sífilis congênita.

Resumo-Chave

Um VDRL não reagente ou com queda de 4 títulos até 6 meses de vida é esperado em RN exposto com mãe adequadamente tratada. A persistência de VDRL reagente aos 9 meses, mesmo com queda de título, indica falha terapêutica materna ou sífilis congênita tardia, exigindo investigação completa (hemograma, RX ossos longos, líquor).

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento da sífilis materna, a sífilis congênita ainda representa um grave problema de saúde pública, podendo causar sequelas graves e até a morte do recém-nascido. O acompanhamento adequado da gestante e do RN exposto é crucial para prevenir e diagnosticar precocemente a doença. No caso de um recém-nascido exposto à sífilis, mesmo com tratamento materno adequado, é fundamental monitorar os títulos de VDRL do bebê. Espera-se que o VDRL do RN seja negativo ou que os títulos caiam em pelo menos quatro vezes até os 6 meses de vida. A persistência de títulos reagentes após 6 meses, ou a ausência de queda de quatro títulos, ou um VDRL do RN com titulação 4 vezes maior que o da mãe, são indicativos de sífilis congênita e exigem investigação completa. A investigação de sífilis congênita tardia, como no caso de um VDRL reagente aos 9 meses, envolve a internação do paciente para a realização de exames complementares. Estes incluem hemograma completo, radiografia de ossos longos (para identificar osteocondrite ou periostite), e análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para descartar neurosífilis. Com base nos resultados desses exames, o tratamento com penicilina cristalina intravenosa será instituído, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de sífilis congênita em um recém-nascido exposto?

Suspeita-se quando o VDRL do RN é 4 vezes maior que o da mãe, ou quando o VDRL do RN persiste reagente após 6 meses de vida, ou não há queda de 4 títulos até 6 meses, mesmo que a mãe tenha sido tratada.

Quais exames complementares são indicados para investigar sífilis congênita tardia?

A investigação completa inclui hemograma, radiografia de ossos longos (para periostite, osteocondrite), análise do líquido cefalorraquidiano (VDRL, celularidade, proteínas) para neurosífilis, e avaliação oftalmológica e audiológica.

Qual a conduta se o VDRL do RN persiste reagente aos 9 meses, mesmo com queda de título?

A persistência de VDRL reagente após 6 meses de vida, mesmo com queda de título, indica falha terapêutica materna ou sífilis congênita tardia. A conduta é a internação para investigação completa, incluindo hemograma, RX de ossos longos e análise do líquor, seguida de tratamento adequado.

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