HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2022
Durante a assistência à Sala de Parto de um recém- nascido a termo, você identifica que no cartão de pré-natal havia um exame positivo para Sífilis, com uma titulação de 1:64, há cerca de 2 meses antes da data do parto. Ao questionar a paciente, ela lhe mostra um comprovante de tratamento, constando duas doses de Penicilina Benzatina, sendo a última há 3 dias. Diante do caso, qual a melhor conduta para o recém-nascido?
Sífilis congênita com tratamento materno inadequado + RN com alterações clínicas/laboratoriais → Penicilina Cristalina/Procaína por 10 dias.
O tratamento materno da sífilis é considerado inadequado se a última dose de penicilina benzatina foi administrada menos de 30 dias antes do parto, ou se o esquema foi incompleto. Nesses casos, o recém-nascido deve ser investigado e, se houver qualquer alteração clínica ou laboratorial sugestiva de sífilis congênita (exceto LCR alterado), o tratamento é com Penicilina Cristalina ou Procaína por 10 dias.
A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante infectada para o feto. A prevenção é feita através do diagnóstico e tratamento adequados da sífilis na gestação. No entanto, em muitos casos, o tratamento materno pode ser considerado inadequado, seja por esquema incompleto, dose insuficiente, tratamento tardio (menos de 30 dias antes do parto) ou não tratamento do parceiro sexual. Nessas situações, o recém-nascido está em risco e requer uma avaliação e conduta específicas. Ao nascer, o recém-nascido de mãe com sífilis e tratamento inadequado deve ser submetido a uma investigação completa, incluindo exame físico detalhado, VDRL no sangue periférico, hemograma, radiografia de ossos longos e análise do líquor (LCR). A presença de alterações clínicas (hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas, osteocondrite, etc.), radiológicas (periostite) ou hematológicas (anemia, plaquetopenia) associadas a um VDRL positivo no RN (mesmo que com titulação igual ou inferior à materna) indica sífilis congênita provável. Para recém-nascidos com sífilis congênita provável, sem evidência de neurosífilis (LCR normal), o tratamento de escolha é a Penicilina Cristalina ou Penicilina Procaína por 10 dias. A Penicilina Benzatina em dose única é reservada para situações de menor risco, onde a investigação é negativa e o VDRL do RN é negativo ou igual/inferior ao materno. A correta identificação e manejo desses casos são cruciais para prevenir sequelas graves e garantir o desenvolvimento saudável do bebê, sendo um tópico de alta relevância para a prática pediátrica e obstétrica.
O tratamento materno é inadequado se a penicilina não foi administrada corretamente para o estágio da sífilis, se a última dose foi aplicada menos de 30 dias antes do parto, se houve falha terapêutica documentada, ou se a parceira sexual não foi tratada simultaneamente.
Além do VDRL do RN, devem ser solicitados hemograma completo, radiografia de ossos longos, avaliação do líquor (LCR) e, se disponível, testes treponêmicos no sangue do RN. A avaliação clínica é fundamental para identificar sinais de sífilis congênita.
A Penicilina Cristalina é usada para casos de sífilis congênita confirmada ou altamente provável, especialmente com envolvimento do SNC, devido à sua melhor penetração no LCR. A Penicilina Benzatina em dose única é reservada para casos de sífilis congênita 'possível' ou 'muito provável' sem evidência de doença ativa ou neurosífilis, e com investigação completa negativa.
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