Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento no RN

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021

Enunciado

Paciente primigesta de 20 anos de idade, admitida em hospital de referência em obstetrícia, em trabalho de parto. Afirma não ter realizado pré-natal, deu a luz de parto normal a um recém-nascido de termo, com peso 3000 g, VDRL 1:64, sem alterações clínicas. Realizado VDRL da mãe, com resultado positivo 1:16. Nesse contexto, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) o VDRL, por se tratar de teste não treponêmico, não tem valor no diagnóstico de Sífilis Congênita, devendo ser realizado o teste treponêmico para confirmação diagnóstica.
  2. B) o bebê deve ser considerado como portador de sífilis congênita e receber tratamento com Penicilina G Benzatina por 10 dias.
  3. C) por não apresentar alterações clínicas, o bebê deve receber uma dose de Penicilina G Benzatina e ser acompanhado para monitoramento durante 2 anos.
  4. D) deve ser realizada investigação completa do RN, incluindo análise de líquor, e iniciado tratamento com Penicilina Cristalina durante 10 dias.
  5. E) deve ser realizada investigação completa do RN, e caso haja indícios de neurossífilis, tratar com Penicilina procaína durante 10 dias.

Pérola Clínica

RN com VDRL ≥ 4x VDRL materno ou sem pré-natal adequado → investigação completa e tratamento para neurossífilis.

Resumo-Chave

Em casos de sífilis congênita com mãe sem pré-natal ou tratamento inadequado, ou RN com título de VDRL 4x maior que o materno, a investigação deve ser completa, incluindo líquor, para descartar neurossífilis. O tratamento padrão para neurossífilis é Penicilina Cristalina por 10 dias.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave, transmitida verticalmente, com alta morbimortalidade. Sua incidência reflete a qualidade do pré-natal e o controle da sífilis na gestação. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir sequelas neurológicas e ósseas no recém-nascido. A suspeita diagnóstica é levantada por histórico materno (pré-natal inadequado, sífilis não tratada ou tratada incorretamente) ou por sorologia reagente no RN. A investigação completa inclui hemograma, radiografia de ossos longos, avaliação oftalmológica e, principalmente, análise do líquor cefalorraquidiano para descartar neurossífilis, mesmo em RN assintomáticos. O tratamento da sífilis congênita varia conforme a classificação do caso. Para casos com evidência de neurossífilis ou investigação incompleta, a Penicilina G Cristalina por 10 dias é o esquema de escolha. O acompanhamento sorológico pós-tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para investigar sífilis congênita em um recém-nascido?

A investigação é indicada se a mãe não realizou pré-natal, teve tratamento inadequado, ou se o VDRL do RN é 4 vezes maior que o materno, independentemente dos sintomas clínicos.

Qual o tratamento para sífilis congênita com suspeita de neurossífilis?

O tratamento padrão é Penicilina G Cristalina aquosa, administrada por via intravenosa a cada 12 horas (para RN < 7 dias) ou a cada 8 horas (para RN > 7 dias), por 10 dias.

Por que a análise do líquor é essencial na sífilis congênita?

A análise do líquor é fundamental para descartar neurossífilis, uma forma grave da doença que requer tratamento específico e prolongado com penicilina cristalina para prevenir sequelas neurológicas.

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