UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Recém-nascido (RN) a termo no primeiro dia de vida, filho de mãe com sífilis que iniciou o tratamento com penicilina benzatina há duas semanas. Exame físico: sem alterações. VDRL da mãe e do RN no momento do parto com titulação de ¼. Exames do RN: Rx de ossos longos normal, hemograma normal e impossibilidade de coleta de líquor. Considerando que esse RN poderá ser acompanhado de forma adequada, qual tratamento deve ser instituído?
Sífilis congênita: mãe tratada < 30 dias ou líquor não coletado/alterado → Penicilina cristalina IV por 10 dias.
A mãe foi tratada há apenas duas semanas, o que é considerado tratamento inadequado por ser < 30 dias antes do parto. A impossibilidade de coletar o líquor impede a exclusão de neurosífilis, tornando a penicilina cristalina por 10 dias o tratamento de escolha para o RN.
A sífilis congênita permanece um grave problema de saúde pública, com consequências devastadoras para o recém-nascido se não for diagnosticada e tratada precocemente. A prevenção primária reside no rastreamento e tratamento adequado da sífilis na gestante. No entanto, quando há falhas nesse processo, o manejo do recém-nascido torna-se crucial para evitar sequelas graves. O diagnóstico e a conduta na sífilis congênita são baseados em uma avaliação complexa que considera o tratamento materno, os achados clínicos do RN e os resultados de exames laboratoriais, incluindo o VDRL do RN e o exame do líquor. A impossibilidade de realizar a punção lombar ou a presença de tratamento materno inadequado são fatores que elevam o risco e direcionam para um esquema terapêutico mais abrangente, visando cobrir a possibilidade de neurosífilis. O tratamento com penicilina cristalina intravenosa por 10 dias é o padrão-ouro para casos de sífilis congênita confirmada ou presumida com risco de neurosífilis. Residentes de pediatria e neonatologia devem estar familiarizados com os protocolos do Ministério da Saúde para garantir a aplicação correta das diretrizes e otimizar o prognóstico desses pacientes, evitando complicações neurológicas, ósseas e hematológicas a longo prazo.
O tratamento da sífilis materna é considerado inadequado se iniciado menos de 30 dias antes do parto, se o esquema terapêutico foi incompleto ou não penicilínico, ou se houver evidência de reinfecção materna ou falha terapêutica.
A impossibilidade de coletar o líquor impede a exclusão de neurosífilis. Nesses casos, assume-se o risco de envolvimento do sistema nervoso central, e o tratamento com penicilina cristalina por 10 dias é necessário para garantir a penetração adequada no líquor.
A penicilina benzatina em dose única é indicada para RNs assintomáticos, com exame físico normal, VDRL não reativo ou com titulação igual ou menor que a materna, e com líquor e outros exames (hemograma, Rx ossos longos) normais, *desde que a mãe tenha sido adequadamente tratada*.
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