UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Recém-nascido com 7 dias de vida, internado por sífilis congênita, vinha recebendo tratamento com penicilina G cristalina desde o primeiro dia. Os exames laboratoriais revelaram VDRL sérico de 1:2, VDRL no líquor 1:2, líquor com proteínas totais de 69 mg/dl, 35 leucócitos/mm³ e glicose de 60 mg/dl. O raio X de ossos longos estava normal. A enfermagem informou que não conseguia mais acesso vascular intravenoso periférico na criança. Segundo as diretrizes brasileiras para o manejo dessa condição, qual a conduta mais adequada para a finalização do tratamento?
Sífilis congênita com líquor alterado → Penicilina G cristalina IV por 10 dias. Se acesso inviável, buscar acesso central.
O recém-nascido apresenta sífilis congênita com alterações liquóricas (VDRL positivo, proteínas elevadas, leucócitos aumentados), indicando neurosífilis. O tratamento padrão é penicilina G cristalina intravenosa por 10 dias. A dificuldade de acesso venoso não justifica a troca para penicilina procaína, que não é indicada para neurosífilis, mas sim a busca por um acesso central para manter o tratamento adequado.
A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente, com potencial para causar sequelas neurológicas, ósseas e multissistêmicas no recém-nascido. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais. A avaliação do líquor é fundamental para determinar a presença de neurosífilis, que exige um regime terapêutico específico. Neste caso, o RN apresenta VDRL sérico e liquórico positivos, além de alterações nas proteínas e leucócitos do líquor, confirmando neurosífilis. O tratamento padrão para neurosífilis congênita é a penicilina G cristalina intravenosa por 10 dias, pois esta formulação atinge concentrações terapêuticas adequadas no sistema nervoso central. A dificuldade de acesso vascular periférico é um desafio comum em neonatologia, mas não deve comprometer a eficácia do tratamento. A conduta correta é garantir o acesso venoso central para a administração da penicilina G cristalina, e não substituir por penicilina procaína intramuscular, que não é eficaz para neurosífilis. A duração do tratamento é de 10 dias, e não 14, conforme as diretrizes brasileiras para casos de neurosífilis.
A neurosífilis em recém-nascidos é indicada por alterações no líquor, como VDRL positivo no líquor, proteínas totais > 50 mg/dL (ou > 150 mg/dL em RN pré-termo) e/ou leucócitos > 5 células/mm³.
O tratamento de escolha para sífilis congênita com neurosífilis é a penicilina G cristalina intravenosa, administrada por 10 dias. É crucial que a medicação atinja o sistema nervoso central em concentrações adequadas.
Em caso de dificuldade de acesso venoso periférico em um recém-nascido com neurosífilis, a conduta mais adequada é solicitar a instalação de um acesso venoso central para garantir a administração contínua e eficaz da penicilina G cristalina, pois a penicilina procaína não é uma alternativa para neurosífilis.
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