HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Recém-nascido masculino, com 6 horas de vida, é avaliado no alojamento conjunto. Trata-se de criança nascida de termo, parto vaginal, sem intercorrências, com peso de nascimento = 3200g, adequado para a idade gestacional, boletim de Apgar 8/9/10. Filho de mãe secundigesta, de 30 anos de idade, com sorologia para sífilis no primeiro trimestre com VDRL 1:256 e Teste Treponêmico (FTA-Abs e hemaglutinação) - TPHA positivo. Realizado tratamento da gestante com três doses de Penicilina Benzatina no segundo trimestre, com queda de títulos de VDRL para 1:8. Coletados VDRL da mãe e da criança ao nascimento, sendo VDRL da mãe 1:4 e da criança 1:4. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde de 2019, é correto afirmar, em relação à criança, que:
Sífilis congênita: RN assintomático, VDRL ≤ 4x mãe, mãe tratada adequadamente → RN exposto, sem tratamento, seguimento.
De acordo com o MS 2019, um RN é considerado apenas exposto à sífilis (e não necessita de tratamento imediato) se for assintomático, tiver VDRL não reagente ou com título igual ou menor que o da mãe ao nascimento, e a mãe tiver sido tratada adequadamente com penicilina, com queda de títulos, e sem evidência de reinfecção. O seguimento ambulatorial é fundamental.
A sífilis congênita é uma doença grave, prevenível e de notificação compulsória, que resulta da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. Apesar dos avanços no pré-natal, ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil, com altas taxas de incidência. O diagnóstico e manejo corretos são cruciais para evitar sequelas graves no recém-nascido. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e baseia-se na avaliação do tratamento materno, na presença de achados clínicos no RN e nos resultados de exames laboratoriais (VDRL do RN, hemograma, líquor, radiografia de ossos longos). É fundamental diferenciar um recém-nascido 'exposto' (mãe tratada adequadamente, RN assintomático e VDRL não reagente ou com título igual ou menor que o da mãe) de um caso de sífilis congênita 'confirmada' ou 'provável'. As recomendações do Ministério da Saúde (MS) são a base para a conduta. Um tratamento materno adequado, com queda de títulos e sem reinfecção, permite que o RN assintomático e com VDRL ≤ 4x o da mãe seja apenas acompanhado ambulatorialmente, sem necessidade de tratamento imediato. O seguimento é essencial para monitorar a sorologia e intervir caso haja soroconversão ou aumento de títulos, garantindo a detecção precoce de sífilis congênita tardia.
O tratamento materno é considerado adequado se realizado com penicilina benzatina, na dose e esquema corretos para o estágio da sífilis, iniciado pelo menos 30 dias antes do parto, com queda de títulos de VDRL e sem evidência de reinfecção.
O RN deve ser tratado se houver evidência clínica ou laboratorial de sífilis congênita (ex: VDRL do RN > 4x o da mãe, alterações no líquor, radiografia de ossos longos), ou se o tratamento materno foi inadequado/incompleto, ou se a mãe não foi tratada.
O seguimento ambulatorial é crucial para monitorar a evolução dos títulos de VDRL do RN. A não negativização ou o aumento dos títulos podem indicar sífilis congênita tardia, necessitando de investigação e tratamento.
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