Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento da Neurosífilis

SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2021

Enunciado

Adolescente de 16 anos de idade, na 38 semana de gestação é internada na maternidade em período expulsivo. O pediatra é avisado pelo laboratório a sorologia para lues (VDRL) da parturiente é positiva (1 :32). Após informação de que a paciente não tomou nenhuma medicação durante a gestação, o pediatra colhe sangue periférico e liquor para exames de VDRL. Diante do resultado positivo (1 :8) no liquor, e (1 :36) no sangue periférico, a conduta terapêutica, mas adequada na criança é:

Alternativas

  1. A) Penicilina benzatina.
  2. B) Eritromicina.
  3. C) Clindamicina.
  4. D) Penicilina cristalina.

Pérola Clínica

Sífilis congênita com VDRL liquor positivo → Penicilina cristalina IV por 10 dias.

Resumo-Chave

Um VDRL positivo no liquor de um recém-nascido, mesmo que assintomático, indica neurosífilis e requer tratamento com Penicilina Cristalina intravenosa por 10 dias. A Penicilina Benzatina é para sífilis congênita sem evidência de neurosífilis e com tratamento materno adequado ou incompleto.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação. É uma condição grave que pode levar a aborto, natimorto, prematuridade, baixo peso ao nascer e uma série de manifestações clínicas no recém-nascido, desde assintomáticas até graves, como neurosífilis, osteocondrite, hepatoesplenomegalia e lesões cutâneas. A prevenção é fundamental e baseia-se no diagnóstico e tratamento adequado da sífilis materna durante o pré-natal. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e envolve a avaliação do tratamento materno, resultados de testes treponêmicos e não treponêmicos (VDRL) da mãe e do bebê, exame físico do RN e, em muitos casos, exames complementares como hemograma, radiografia de ossos longos e análise do líquor. A presença de VDRL reativo no líquor é um critério diagnóstico para neurosífilis, mesmo na ausência de outros sinais clínicos. O tratamento da sífilis congênita depende da classificação do caso. Para neurosífilis ou quando há suspeita de envolvimento do sistema nervoso central (como VDRL positivo no líquor), a Penicilina Cristalina intravenosa por 10 dias é a terapia de escolha, pois é a única que atinge concentrações treponemicidas no líquor. A Penicilina Benzatina intramuscular é reservada para casos sem neurosífilis e com tratamento materno inadequado ou incompleto. O acompanhamento sorológico pós-tratamento é essencial para monitorar a resposta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de neurosífilis congênita em recém-nascidos?

O diagnóstico de neurosífilis congênita é feito pela presença de VDRL reativo no líquor, pleocitose (>25 leucócitos/mm³ em RN a termo ou >5 em prematuros) ou proteinorraquia (>150 mg/dL em RN a termo ou >170 mg/dL em prematuros), na ausência de outras causas.

Qual a diferença entre o tratamento com Penicilina Benzatina e Penicilina Cristalina para sífilis congênita?

A Penicilina Benzatina é usada para sífilis congênita sem evidência de neurosífilis, quando o tratamento materno foi inadequado ou desconhecido. A Penicilina Cristalina intravenosa é o tratamento de escolha para neurosífilis congênita, devido à sua capacidade de atingir concentrações terapêuticas no líquor.

Quando a sífilis congênita é considerada tratada adequadamente?

A sífilis congênita é considerada tratada adequadamente quando o recém-nascido recebe o esquema terapêutico correto (Penicilina Cristalina ou Benzatina, conforme o caso) e apresenta queda progressiva dos títulos de VDRL sérico ao longo do tempo, sem sinais clínicos ou laboratoriais de atividade da doença.

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