INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Considerando os dados epidemiológicos apresentados no gráfico acima e a realidade brasileira no período avaliado, é correto afirmar que a sífilis congênita no país apresenta:
↑ Incidência de sífilis congênita no Brasil = ↑ Busca ativa e diagnóstico precoce no pré-natal.
O aumento das taxas de sífilis congênita reflete melhorias na vigilância epidemiológica e na captação precoce de gestantes pelo sistema de saúde.
A sífilis congênita continua sendo um grande desafio para a saúde pública brasileira. Embora o aumento das taxas de incidência possa parecer negativo à primeira vista, ele reflete, em parte, uma maior capacidade do sistema de saúde em identificar casos que anteriormente passariam despercebidos. A estratégia de 'busca ativa' e a descentralização dos testes rápidos para a Unidade Básica de Saúde foram cruciais para esse cenário. A transmissão vertical do *Treponema pallidum* pode ocorrer em qualquer estágio da gestação e em qualquer fase da doença materna, embora o risco seja maior na sífilis primária e secundária. O tratamento de escolha permanece a Penicilina G Benzatina, que deve ser administrada conforme o estágio da doença e finalizada pelo menos 30 dias antes do parto para que o recém-nascido seja considerado adequadamente tratado *in utero*.
O aumento verificado nas taxas de incidência de sífilis congênita no Brasil está fortemente relacionado à expansão da cobertura da atenção primária e à melhoria na busca ativa de gestantes para o pré-natal. Com mais mulheres sendo testadas precocemente e com frequência, o número de diagnósticos notificados subiu, revelando uma realidade epidemiológica que antes era subnotificada.
O pré-natal é a principal oportunidade para interromper a cadeia de transmissão vertical. O diagnóstico precoce através de testes rápidos ou VDRL permite o tratamento adequado da gestante e de seu parceiro. No entanto, o desafio persiste no tratamento oportuno e na garantia de que o parceiro também seja tratado para evitar a reinfecção da gestante.
A sífilis congênita e a sífilis em gestantes são doenças de notificação compulsória. O aprimoramento dos sistemas de vigilância e a maior conscientização dos profissionais de saúde sobre a importância do registro geram um aumento estatístico nas taxas, o que é fundamental para o planejamento de políticas públicas e alocação de recursos.
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