USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Menino de 15 dias, com história de diminuição da movimentação do membro superior direito e irritabilidade há uma semana. O exame físico mostra, adicionalmente, icterícia, discreto rash maculopapular, petéquias isoladas e hepatoesplenomegalia. O menino nasceu de parto cesárea a termo, apresentação pélvica, com 3000 g, Apgar 9/10 e recebeu alta hospitalar no terceiro dia de vida. A mãe relata acompanhamento de pré- natal, mas não trouxe cartão. Qual é o mais provável agente infeccioso causador do quadro?
RN com icterícia, rash, hepatoesplenomegalia e pseudoparalisia → Sífilis congênita (Treponema pallidum).
O quadro clínico de um recém-nascido com icterícia, rash maculopapular, petéquias, hepatoesplenomegalia e diminuição da movimentação de um membro (sugestivo de osteocondrite ou pseudoparalisia de Parrot) é altamente indicativo de sífilis congênita precoce. A história de pré-natal incompleto ou inadequado da mãe reforça essa suspeita.
A sífilis congênita permanece um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com acesso limitado a um pré-natal adequado. É causada pela transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto, podendo resultar em aborto, natimorto ou uma ampla gama de manifestações clínicas no recém-nascido, que variam de assintomáticas a graves e multissistêmicas. O quadro clínico da sífilis congênita precoce (manifestações nos primeiros dois anos de vida) é bastante variado e pode mimetizar outras condições. No caso apresentado, a combinação de icterícia, rash maculopapular, petéquias, hepatoesplenomegalia e diminuição da movimentação de um membro (sugestivo de osteocondrite ou pseudoparalisia de Parrot, uma manifestação óssea dolorosa) é altamente sugestiva de sífilis congênita. A história de pré-natal incompleto ou sem tratamento adequado da sífilis materna é um fator de risco importante. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para evitar sequelas permanentes. O tratamento de escolha é a penicilina cristalina ou procaína, dependendo da apresentação e idade do bebê. A prevenção é a medida mais eficaz, baseada na triagem universal da sífilis em gestantes durante o pré-natal e tratamento imediato das mães infectadas e seus parceiros.
Os sinais clássicos incluem icterícia, rash cutâneo (maculopapular, bolhoso), petéquias, hepatoesplenomegalia, rinorreia serossanguinolenta, linfadenopatia e alterações ósseas como osteocondrite ou periostite, que podem causar pseudoparalisia de Parrot.
A sífilis congênita é transmitida verticalmente da mãe infectada para o feto durante a gestação. Um pré-natal adequado com triagem e tratamento da sífilis materna é crucial para prevenir a transmissão e as graves consequências para o recém-nascido.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem outras infecções congênitas (toxoplasmose, citomegalovírus, rubéola, herpes), sepse neonatal, doenças hemolíticas e doenças metabólicas. A combinação de achados é chave para direcionar a investigação.
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