SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Durante a coleta da anamnese materna na sala de parto é identificado que uma mãe teve Sífilis durante a gestação. Parturiente e parceiro foram adequadamente tratados, de acordo com o registrado no cartão pré-natal. O tratamento terminou aproximadamente 40 dias antes do parto. Qual a conduta inicial com o recém-nascido em relação a necessidade de testagem para Sífilis?
Sífilis materna tratada adequadamente na gestação → VDRL materno e do RN no parto para avaliar risco de sífilis congênita.
Mesmo com tratamento materno adequado para sífilis, é mandatório realizar VDRL (teste não treponêmico) tanto na mãe quanto no recém-nascido no momento do parto. Isso permite comparar os títulos e determinar a necessidade de investigação e tratamento para sífilis congênita no RN.
A sífilis congênita é uma doença grave e evitável, resultante da transmissão vertical do *Treponema pallidum* da mãe para o feto durante a gestação. Mesmo quando a mãe recebe tratamento adequado para sífilis durante a gravidez, é imperativo realizar a testagem do recém-nascido no momento do parto. Isso se deve à possibilidade de falha terapêutica, reinfecção materna ou tratamento inadequado (por exemplo, iniciado muito próximo ao parto ou com esquema incorreto). A conduta inicial com o recém-nascido, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, inclui a coleta de teste não treponêmico (VDRL ou RPR) em sangue periférico do RN, simultaneamente com a coleta materna. A comparação dos títulos maternos e neonatais é fundamental para a avaliação do risco de sífilis congênita. Um título do RN igual ou superior a duas diluições do título materno (ex: mãe 1:4, RN 1:16) é um indicativo forte de infecção ativa no neonato, mesmo na ausência de alterações clínicas. Além da sorologia, a avaliação do recém-nascido com suspeita de sífilis congênita pode incluir exame físico detalhado, hemograma completo, radiografia de ossos longos, análise do líquor e, em alguns casos, ultrassonografia de abdome e neurosonografia. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina cristalina ou procaína, dependendo da classificação do caso, e é crucial para prevenir sequelas graves e irreversíveis no desenvolvimento da criança. A prevenção primária reside no rastreamento e tratamento precoce e adequado da sífilis em gestantes e seus parceiros.
O tratamento é considerado adequado se realizado com penicilina benzatina na dose e esquema corretos para o estágio da sífilis, iniciado pelo menos 30 dias antes do parto, e com queda dos títulos de VDRL materno.
A testagem é essencial para comparar os títulos de VDRL entre mãe e filho. Um título do RN igual ou superior a duas diluições do título materno (ex: mãe 1:4, RN 1:16) sugere sífilis congênita ativa, mesmo com tratamento materno prévio.
Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) são usados para rastreamento e monitoramento da atividade da doença, enquanto testes treponêmicos (FTA-Abs, TPPA) confirmam a infecção, mas não distinguem infecção ativa de cicatriz sorológica.
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