UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023
Recém-nascido com 48 horas de vida, sexo masculino, parto normal com 38 semanas de gestação. Ápgar 8 e 9, peso de 3.200g, PC de 34cm e altura de 50cm. Exame físico sem alterações. Sua mãe possui 23 anos, primípara, gestação tardiamente descoberta por volta de 25 semanas de gestação. Foram realizadas 3 consultas de pré-natal. Não foram descritas na caderneta da gestante alterações pressóricas ou glicêmicas. Testes rápidos para HIV, Hepatite B, C e VDRL realizados em primeira consulta do pré-natal e descritos como não reagentes. Sorologias para Toxoplasmose, Citomegalovírus e Rubéola com IgM negativo e IgG positivo. Testes rápidos da admissão na maternidade evidenciaram HIV, Hepatite B e C não reagentes e VDRL reagente, com posterior titulação de 1:8. Mãe negou ter recebido qualquer tratamento para sífilis durante a gestação, e desconhecia o diagnóstico. O RN encontra-se internado em alojamento conjunto de um hospital para investigação de Sífilis Congênita. Foram realizados os seguintes exames no RN: Hemograma completo e glicemia com parâmetros adequados para a idade, Rx de ossos longos sem evidência de lesões ósseas, líquor (celularidade e proteinorraquia) sem alterações, VDRL no líquor não reagente, VDRL materno pareado 1:8 e VDRL do RN pareado não reagente. Diante do exposto e do diagnóstico de sífilis congênita devido à ausência de tratamento materno, qual a recomendação de tratamento e conduta a ser instituída?
Sífilis congênita: mãe sem tratamento adequado + RN sem sinais clínicos/laboratoriais de sífilis → Penicilina Benzatina dose única.
O tratamento da sífilis congênita depende da adequação do tratamento materno e da avaliação do recém-nascido. Neste caso, a mãe não foi tratada adequadamente e o RN não apresenta evidências clínicas ou laboratoriais de sífilis congênita (incluindo líquor e VDRL do RN não reagente), indicando baixo risco e tratamento com Penicilina Benzatina em dose única.
A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. A prevenção depende de um pré-natal adequado com rastreamento e tratamento oportuno da gestante. A ausência de tratamento materno ou tratamento inadequado são os principais fatores de risco para o recém-nascido. A conduta no recém-nascido exposto à sífilis depende da adequação do tratamento materno, da presença de sinais clínicos de sífilis congênita no RN e dos resultados de exames laboratoriais (VDRL do RN, líquor, hemograma, radiografia de ossos longos). O VDRL materno pareado e o VDRL do RN são essenciais para a classificação do risco. No caso apresentado, a mãe não foi tratada e o RN não possui evidências de sífilis congênita (VDRL não reagente, líquor e Rx normais), classificando-o como de baixo risco para sífilis congênita. A recomendação é Penicilina Benzatina 50.000 UI/kg, intramuscular, dose única, seguida de acompanhamento sorológico rigoroso para monitorar a queda dos títulos de VDRL.
O tratamento materno é considerado adequado se realizado com Penicilina Benzatina na dose e esquema corretos para o estágio da sífilis, iniciado pelo menos 30 dias antes do parto, com queda dos títulos de VDRL e sem evidência de reinfecção.
A Penicilina Cristalina por 10 dias é indicada para recém-nascidos com sífilis congênita confirmada ou de alto risco, especialmente se houver alterações no líquor (sugestivo de neurossífilis), alterações radiológicas ou clínicas, ou se o VDRL do RN for 4x maior que o materno.
O VDRL no líquor é crucial para descartar ou confirmar a neurossífilis. Um VDRL reagente no líquor, ou alterações na celularidade/proteinorraquia, indica neurossífilis e exige tratamento com Penicilina Cristalina por 10 dias.
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