Sífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento Essencial no RN

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

RN de A.P.V, sexo feminino, 48 horas de vida, nasceu de parto normal, com 38 sem e 2 dias, pesando 2.490 g, medindo 46 cm, Apgar 9/9; Mãe G2 P1 A1, não realizou pré-natal, usuária de maconha. Ao exame físico: RN em regular estado geral, ativo e reativo, acianótico, ictérico zona III, eupneico, fígado palpável a 4 cm do RDC e baço a 2 cm da RCE, presença de rash vesicular em tronco, mãos e em membros inferiores, ausência de lesões de tocotraumatismos. Exames maternos: Testes Rápidos (HIV/ Hep B/ Hep C): não reagentes, sífilis: reagente/ VDRL sérico: 1/16/ TSang: A positivo/ Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus (CMV), herpes vírus simplex (HSV): IgG: positivos e IGM: negativos. Realizados exames no RN, demonstrados no quadro abaixo.De acordo com o caso clínico acima, o tratamento que deve ser instituído para a RN de A.P.V., considerando o diagnóstico apresentado por ela é:

Alternativas

  1. A) P Benzilpenicilina Benzatina, Intramuscular, dose única.
  2. B) Benzilpenicilina Procaína, Intravenosa, por 14 dias.
  3. C) Benzilpenicilina potássica (Cristalina), intravenosa, por 14 dias.
  4. D) Benzilpenicilina Procaína, Intramuscular, por 10 dias.
  5. E) Benzilpenicilina potássica (Cristalina), intravenosa, por 10 dias.

Pérola Clínica

RN com icterícia, hepatoesplenomegalia, rash vesicular + mãe VDRL reagente → Sífilis congênita = Penicilina Cristalina IV por 10 dias.

Resumo-Chave

O quadro clínico do RN (icterícia, hepatoesplenomegalia, rash vesicular) associado à sorologia materna reagente para sífilis e ausência de pré-natal (indicando tratamento inadequado ou ausente) configura sífilis congênita. O tratamento de escolha para sífilis congênita confirmada ou altamente provável é a Benzilpenicilina potássica (Cristalina) intravenosa por 10 dias.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida da mãe para o feto durante a gestação, causada pela bactéria *Treponema pallidum*. É uma condição prevenível com pré-natal adequado e tratamento oportuno da gestante. No entanto, a ausência de pré-natal ou tratamento inadequado da mãe são fatores de risco significativos para a ocorrência da doença no recém-nascido, resultando em alta morbimortalidade. A fisiopatologia envolve a passagem transplacentária do *Treponema pallidum*, que pode causar aborto, natimorto, prematuridade ou doença congênita no RN. As manifestações clínicas da sífilis congênita precoce (até 2 anos de idade) são variadas e inespecíficas, incluindo icterícia, hepatoesplenomegalia, rash cutâneo (maculopapular, vesicular ou bolhoso), rinite serossanguinolenta, osteocondrite e anemia. O diagnóstico é baseado na história materna, sorologia (VDRL materno e do RN), e avaliação clínica e laboratorial do RN (hemograma, líquor, RX de ossos longos). O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina, sendo a Benzilpenicilina potássica (Cristalina) intravenosa por 10 dias a escolha para casos confirmados ou altamente prováveis, especialmente se houver evidência de doença ou risco de neurosífilis. A penicilina benzatina intramuscular em dose única não é adequada para esses casos, sendo reservada para situações de baixo risco com sorologia materna e do RN negativas e sem evidência de doença. O tratamento precoce é fundamental para prevenir sequelas graves e irreversíveis, como surdez, cegueira e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas comuns da sífilis congênita no recém-nascido?

As manifestações podem incluir icterícia, hepatoesplenomegalia, rash cutâneo (maculopapular, vesicular ou bolhoso), rinite serossanguinolenta, pseudoparalisia de Parrot, osteocondrite, anemia e hidrocefalia.

Quando a penicilina cristalina intravenosa é indicada para sífilis congênita?

É indicada para RNs com sífilis congênita confirmada ou altamente provável, especialmente se houver alterações no líquor, no RX de ossos longos, ou se a mãe não foi tratada adequadamente ou o tratamento materno é desconhecido.

Qual a diferença entre VDRL materno e VDRL do RN no diagnóstico de sífilis congênita?

O VDRL materno indica exposição. No RN, um VDRL reagente com título 4 vezes maior que o materno, ou qualquer título reagente com manifestações clínicas, ou mãe não tratada/tratada inadequadamente, sugere sífilis congênita.

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