Sífilis Congênita: Conduta Terapêutica no Recém-Nascido

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Um recém-nascido de 39 semanas, filho de mãe com pré-natal inadequado, foi internado para investigação de sífilis congênita. A mãe foi diagnosticada com sífilis no início da gravidez, mas não completou o tratamento e não realizou controle sorológico. O exame físico do recém-nascido mostra hepatoesplenomegalia e lesões maculopapulares no corpo. O teste VDRL do recém-nascido apresenta títulos quatro vezes maiores que os da mãe. Foi realizada 2 tentativas de punção lombar, porém sem sucesso no procedimento. Diante desse quadro, qual é a melhor conduta terapêutica inicial para esse recém-nascido?

Alternativas

  1. A) Prescrever Penicilina Benzatina intramuscular em dose única.
  2. B) Prescrever Penicilina Procaína intramuscular por 10 dias.
  3. C) Iniciar Penicilina Cristalina intravenosa por 10 dias.
  4. D) Monitorar clinicamente e realizar VDRL de acompanhamento a cada 2 semanas.

Pérola Clínica

Sífilis congênita com VDRL RN > 4x mãe + sinais clínicos + PL não realizada → Penicilina Cristalina IV por 10 dias.

Resumo-Chave

Diante de um recém-nascido com alta probabilidade de sífilis congênita (mãe com tratamento inadequado, sinais clínicos e VDRL do RN 4x maior que o materno), e impossibilidade de realizar a punção lombar para excluir neurossífilis, a conduta é tratar como sífilis congênita confirmada com Penicilina Cristalina IV por 10 dias.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente pelo *Treponema pallidum*, com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. Sua importância clínica reside na prevenção de sequelas neurológicas, ósseas e multissistêmicas permanentes no recém-nascido. O pré-natal inadequado da mãe é um fator de risco crucial, exigindo atenção redobrada. O diagnóstico da sífilis congênita baseia-se na história materna (sífilis não tratada ou inadequadamente tratada), achados clínicos no RN (hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas, rinite sifilítica) e exames laboratoriais (VDRL do RN com títulos 4 vezes maiores que o materno ou VDRL reagente com IgM anti-treponema positivo). A punção lombar é fundamental para excluir neurossífilis, mas sua falha ou impossibilidade de realização, em casos com alta probabilidade de doença, não impede o tratamento. A conduta terapêutica para sífilis congênita depende da classificação do caso. Em situações de alta probabilidade de doença, como a descrita, e impossibilidade de excluir neurossífilis, a Penicilina Cristalina intravenosa por 10 dias é o tratamento de escolha, devido à sua excelente penetração no sistema nervoso central. O prognóstico melhora significativamente com o tratamento precoce e adequado, sendo a penicilina a droga de eleição para todas as formas de sífilis.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar um recém-nascido com sífilis congênita?

Um recém-nascido é considerado com sífilis congênita quando a mãe teve sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, e o RN apresenta sinais clínicos (hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas) ou VDRL com títulos 4 vezes maiores que os da mãe.

Por que a Penicilina Cristalina intravenosa é a melhor opção neste caso de sífilis congênita?

A Penicilina Cristalina intravenosa é indicada quando há evidência de sífilis congênita e não é possível excluir neurossífilis (seja por punção lombar não realizada ou alterada), garantindo a penetração adequada no sistema nervoso central.

Quais são os sinais clínicos comuns de sífilis congênita em recém-nascidos?

Sinais clínicos comuns incluem hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas maculopapulares ou bolhosas, rinite sifilítica, icterícia, anemia, linfadenopatia e alterações ósseas como periostite.

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