IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024
Você faz a sala de parto do recém-nascido (RN) de Marcele. O RN nasceu com Apgar 9/10, a termo, com peso adequado para a idade gestacional. O exame físico é normal. Quando você vai verificar o pré-natal, descobre que a mãe teve diagnóstico sorológico de sífilis (VDRL 1:16 e FTA-ABS positivo) foi tratada adequadamente com término do tratamento há cerca de dois meses. Isso leva a coleta de exames da criança e da mãe. Ao verificar os resultados, tanto o VDRL do RN, quanto o de Marcele, é positivo em 1:4. Os demais exames complementares, assim como o exame físico do RN estão normais.Em relação a esse caso, a afirmativa correta, segundo o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites virais do Ministério da Saúde (2002), seria:
Sífilis congênita: RN assintomático, VDRL RN ≤ VDRL mãe (4x diluição) + mãe tratada adequadamente → acompanhamento, não tratar.
Em RN assintomático, com exame físico normal, e cuja mãe foi tratada adequadamente para sífilis, um VDRL do RN com título menor ou igual ao da mãe (considerando a mesma diluição ou até 4x menor) é compatível com transferência passiva de anticorpos maternos, não indicando sífilis congênita ativa. Nesses casos, o RN deve ser acompanhado ambulatorialmente, e o tratamento só será instituído se houver persistência ou aumento do VDRL após 6 meses.
A sífilis congênita é uma doença grave, prevenível, causada pela transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante infectada para o feto. O diagnóstico e tratamento adequados da gestante são fundamentais para evitar a transmissão. No entanto, mesmo com tratamento materno adequado, a avaliação do recém-nascido (RN) é complexa e exige a interpretação cuidadosa dos exames sorológicos. A conduta no RN exposto à sífilis depende de múltiplos fatores: adequação do tratamento materno, presença de manifestações clínicas no RN, e resultados dos exames sorológicos do RN (VDRL, FTA-ABS). Um VDRL positivo no RN pode indicar sífilis congênita, mas também pode ser devido à transferência passiva de anticorpos maternos. A regra geral é que um VDRL do RN com título até 4 vezes maior que o da mãe é sugestivo de infecção ativa. Se o título for igual ou menor, e a mãe foi tratada adequadamente, o RN é considerado "exposto" e não "infectado", necessitando apenas de acompanhamento. O acompanhamento ambulatorial é crucial para esses RNs. O VDRL deve ser repetido aos 3, 6 e 12 meses de vida. A persistência de títulos reagentes ou o aumento dos títulos após 6 meses, ou a reaparecimento da reatividade, indicaria sífilis congênita e a necessidade de tratamento e investigação de neurossífilis (com punção lombar). O conhecimento detalhado desses protocolos, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, é essencial para uma prática clínica segura e eficaz.
Se o RN for assintomático, tiver exame físico normal, a mãe foi adequadamente tratada e o VDRL do RN for menor ou igual ao da mãe (ou até 4x menor), o RN pode ser apenas acompanhado.
Um VDRL do RN com título até 4 vezes maior que o da mãe sugere sífilis congênita ativa. Se for menor ou igual, pode ser apenas transferência passiva de anticorpos.
A punção lombar é indicada se houver suspeita de neurossífilis, como VDRL persistente ou ascendente após 6 meses, ou se houver alterações clínicas ou laboratoriais sugestivas.
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