Sífilis Congênita: Critérios para Tratamento com Penicilina Cristalina

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Você atende um recém-nascido de mãe com sífilis na gestação, que não foi tratada, e apresenta VDRL com título de 1/32 e TPHA (Treponema Pallidum Hemagglutinatio Test) positivo no momento do parto. A sorologia da criança ao nascimento mostra VDRL com título de 1/128 e TPHA positivo. Ela deverá ser tratada obrigatoriamente com penicilina cristalina caso apresente:

Alternativas

  1. A) pênfigo palmo-plantar
  2. B) impossibilidade da coleta de líquor
  3. C) anemia
  4. D) hepatoesplenomegalia
  5. E) osteocondrite

Pérola Clínica

RN de mãe com sífilis não tratada + VDRL > 1/4 da mãe ou impossibilidade de líquor → Penicilina cristalina.

Resumo-Chave

O tratamento da sífilis congênita com penicilina cristalina é obrigatório para recém-nascidos de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, especialmente se houver evidência de doença (clínica ou laboratorial) ou se a avaliação do líquor não puder ser realizada, pois a impossibilidade de excluir neurosífilis impõe o tratamento mais agressivo.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave e prevenível, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. A prevenção primária é o tratamento adequado da gestante infectada. Quando a mãe não é tratada ou o tratamento é inadequado, o risco de transmissão é alto, e o recém-nascido deve ser avaliado e tratado conforme protocolos rigorosos. O diagnóstico e a conduta no recém-nascido dependem de múltiplos fatores, incluindo o tratamento materno, os títulos de VDRL materno e do RN, e a presença de achados clínicos ou laboratoriais no bebê. A avaliação do líquor cefalorraquidiano é crucial para descartar neurosífilis, que exige o esquema terapêutico mais intensivo com penicilina cristalina por 10 dias. A impossibilidade de realizar a punção lombar para análise do líquor, ou a presença de alterações liquóricas, ou achados clínicos/radiológicos sugestivos de sífilis congênita, ou VDRL do RN com título 4 vezes maior que o materno, são indicações para o tratamento completo com penicilina cristalina. A falha em tratar adequadamente pode levar a sequelas neurológicas, ósseas e sensoriais irreversíveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de sífilis congênita em um recém-nascido?

O diagnóstico é complexo e considera a história materna (tratamento inadequado ou ausente), achados clínicos no RN (pênfigo, hepatoesplenomegalia, osteocondrite), achados laboratoriais (VDRL do RN 4x maior que o materno, ou VDRL positivo no líquor), e alterações radiológicas.

Por que a impossibilidade de coletar líquor em um recém-nascido com suspeita de sífilis congênita leva ao tratamento com penicilina cristalina?

A penicilina cristalina é o tratamento de escolha para neurosífilis. Se a coleta de líquor não pode ser realizada, não é possível excluir o envolvimento do sistema nervoso central. Nesses casos, para evitar as graves sequelas da neurosífilis, o tratamento mais abrangente e eficaz é mandatório.

Quais são as manifestações clínicas da sífilis congênita precoce?

As manifestações precoces (até 2 anos) incluem pênfigo palmo-plantar, rinite sifilítica, hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, osteocondrite, pseudoparalisia de Parrot, linfadenopatia e lesões mucocutâneas.

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