Sífilis Congênita: Diagnóstico e Sinais Clínicos no RN

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023

Enunciado

RN nascido de mãe de 17 anos, sem pré-natal nascido com 37 semanas de idade gestacional, apresenta peso de nascimento de 2.580g, fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito, baço não palpável, descamação em pele, principalmente em palma das mãos e planta dos pés, e reage com choro à movimentação da articulação do joelho direito. O hemograma mostra quadro de anemia e plaquetopenia. O diagnóstico mais provável para o caso é:

Alternativas

  1. A) Citomegalovirose congênita
  2. B) Toxoplasmose congênita
  3. C) Sepse primária
  4. D) Sífilis congênita
  5. E) Osteomielite articular

Pérola Clínica

RN com PIG, hepatoesplenomegalia, descamação palmoplantar e anemia/plaquetopenia → Sífilis congênita até prova em contrário.

Resumo-Chave

A sífilis congênita é uma infecção vertical grave, especialmente em RNs de mães sem pré-natal. As manifestações incluem baixo peso, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas como pênfigo sifilítico e alterações ósseas como osteocondrite, que podem causar dor e pseudoparalisia. Anemia e plaquetopenia são achados hematológicos comuns.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção vertical grave, causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto. É uma doença de notificação compulsória e sua ocorrência reflete falhas no pré-natal, especialmente em gestantes sem acompanhamento adequado. A prevalência ainda é alta em muitas regiões, representando um desafio de saúde pública. As manifestações clínicas da sífilis congênita precoce (até 2 anos de idade) são variadas e inespecíficas, o que dificulta o diagnóstico. O caso apresentado descreve um recém-nascido com baixo peso para idade gestacional (PIG), hepatoesplenomegalia, descamação palmoplantar (pênfigo sifilítico), dor à movimentação articular (sugestivo de osteocondrite ou pseudoparalisia de Parrot) e alterações hematológicas como anemia e plaquetopenia. Esses achados são altamente sugestivos de sífilis congênita e devem levantar forte suspeita diagnóstica. O diagnóstico definitivo envolve sorologia materna e do recém-nascido (VDRL/RPR e FTA-Abs/TPHA), análise do líquido cefalorraquidiano e radiografias de ossos longos. O tratamento é feito com penicilina, sendo a penicilina cristalina intravenosa a escolha para casos com acometimento do sistema nervoso central. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e tratamento, sendo a prevenção através do pré-natal e tratamento materno a medida mais eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da sífilis congênita precoce?

A sífilis congênita precoce pode manifestar-se com hepatoesplenomegalia, icterícia, pênfigo sifilítico (lesões vesicobolhosas e descamativas, especialmente em palmas e plantas), rinite sifilítica, pseudoparalisia de Parrot (por osteocondrite) e alterações hematológicas como anemia e plaquetopenia.

Como a sífilis congênita afeta o sistema esquelético do RN?

A sífilis congênita pode causar osteocondrite e periostite, que são inflamações dos ossos e cartilagens. Isso pode levar a dor intensa, especialmente em ossos longos, resultando em pseudoparalisia de Parrot, onde o bebê evita movimentar o membro afetado devido à dor.

Qual a importância do pré-natal na prevenção da sífilis congênita?

O pré-natal adequado é crucial para a prevenção da sífilis congênita, pois permite o rastreamento sorológico da gestante e o tratamento oportuno da sífilis materna. O tratamento da mãe com penicilina benzatina durante a gestação é altamente eficaz para prevenir a transmissão vertical ao feto.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo