HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Lactente, 3 meses, vem para primeira consulta de acompanhamento de sífilis congênita com VDRL não reagente. O exame físico é normal e apresenta desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade. No período neonatal, realizou tratamento com penicilina cristalina por 10 dias. Os exames desse período eram VDRL 1:64; hemograma normal; plaquetas 150.000/mm³; análise do líquor: VDRL 1:2; leucócitos 24/mm³ e proteinorraquia 168 mg/dL; radiografia de ossos longos normais. A mãe apresentou, em exames realizados no momento do parto, teste rápido treponêmico reagente e VDRL 1:16, sem tratamento na gestação. A conduta mais adequada ao caso, neste momento, conforme o Ministério da Saúde do Brasil (2021), é realizar
Sífilis congênita com líquor alterado neonatal exige reavaliação liquórica aos 6 meses, mesmo com VDRL sérico negativo.
A alteração do líquor no período neonatal (VDRL reagente, leucócitos > 5/mm³, proteinorraquia > 40 mg/dL) é um critério para neurosífilis e exige tratamento com penicilina cristalina por 10 dias. Mesmo com VDRL sérico não reagente após tratamento, a reavaliação do líquor é mandatória aos 6 meses para confirmar a cura da neurosífilis.
A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente, e seu manejo adequado é crucial para prevenir sequelas. O caso apresentado ilustra uma situação de neurosífilis congênita, caracterizada pelas alterações no líquor (VDRL reagente, leucócitos elevados, proteinorraquia alta) no período neonatal, mesmo com radiografia de ossos longos normais. O tratamento com penicilina cristalina por 10 dias foi realizado corretamente, mas o acompanhamento é fundamental. Mesmo com o VDRL sérico não reagente aos 3 meses e o desenvolvimento neuropsicomotor normal, a história de neurosífilis neonatal exige uma vigilância mais rigorosa. As diretrizes do Ministério da Saúde (2021) preconizam a reavaliação do líquor aos 6 meses de idade em casos de neurosífilis tratada, para confirmar a erradicação da infecção no sistema nervoso central. A normalização do VDRL sérico é um bom sinal, mas não exclui a necessidade de reavaliar o líquor. A falha em reavaliar o líquor pode levar à persistência de neurosífilis não diagnosticada, com risco de sequelas neurológicas a longo prazo. Portanto, a conduta mais adequada é a análise do líquor aos 6 meses, conforme as recomendações atuais, para garantir a cura completa e evitar complicações futuras. Outros exames como FTA-Abs não são úteis para acompanhamento de tratamento e tomografia de crânio não é a primeira linha para acompanhamento de neurosífilis tratada.
O diagnóstico de neurosífilis congênita é feito pela presença de VDRL reagente no líquor, ou alterações como leucócitos > 5/mm³ e/ou proteinorraquia > 40 mg/dL no líquor, em recém-nascidos com sífilis congênita.
O tratamento padrão para neurosífilis congênita é a penicilina cristalina intravenosa por 10 dias, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
O líquor deve ser reavaliado aos 6 meses de idade. Se as alterações persistirem, um novo tratamento com penicilina cristalina por 10 dias deve ser considerado.
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