CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023
Mulher, 19 anos, G1P0A0, sem pré-natal, procedente da zona rural em trabalho de parto é referenciada à maternidade. Após anamnese, a gestante foi submetida à coleta de exames: Teste rápido (TR) para HIV: NÃO REAGENTE, TR para sífilis: REAGENTE, TR para hepatite B e C: NÃO REAGENTES, VDRL 1/16. Mãe nega tratamento anterior para sífilis. RN nasceu de parto normal, Apgar 9/9, peso 2600, Capurro 39 semanas. Foi colocado junto à mãe para sugar o seio materno. Efetuado os demais cuidados de rotina sendo encaminhado para o alojamento conjunto acompanhando sua mãe. Exame físico sem alterações. Exames do RN: VDRL 1/2, punção liquórica sem alterações com VDRL NÃO REAGENTE, escore hematológico de RODWELL:2, Raio X de ossos longos normal. De acordo com o quadro clínico e laboratorial, assinale a alternativa CORRETA:
Sífilis congênita: VDRL RN ≥ 4x VDRL mãe ou líquor alterado/Rodwell > 2 → Penicilina Cristalina 10 dias.
O tratamento da sífilis congênita no RN depende da avaliação clínica, sorológica (VDRL materno e do RN), liquórica e radiológica. Mesmo sem alterações clínicas evidentes, a falha no tratamento materno ou títulos elevados do VDRL do RN em relação à mãe (ou líquor alterado/Rodwell > 2) indicam tratamento prolongado.
A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave, transmitida verticalmente, que pode causar sequelas irreversíveis e óbito neonatal. Sua prevenção reside no diagnóstico e tratamento adequado da gestante durante o pré-natal. A prevalência da sífilis em gestantes e da sífilis congênita tem aumentado no Brasil, tornando o tema crucial para a saúde pública e a prática médica. O diagnóstico no recém-nascido é complexo e exige a avaliação conjunta da história materna, exame físico do bebê e uma série de exames complementares, como VDRL do RN, punção liquórica, hemograma e radiografia de ossos longos. A interpretação desses resultados, especialmente o VDRL, é fundamental para diferenciar um RN exposto de um RN com sífilis congênita provável ou confirmada. O escore de Rodwell auxilia na avaliação da gravidade e na decisão terapêutica. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina, sendo a Penicilina Cristalina por 10 dias o esquema para casos de sífilis congênita provável ou confirmada, enquanto a Penicilina Benzatina em dose única é reservada para casos de sífilis congênita possível (RN exposto sem evidências de doença). A escolha correta do esquema terapêutico é vital para evitar complicações a longo prazo e garantir o desenvolvimento saudável da criança.
O diagnóstico envolve a história materna (sífilis não tratada ou inadequadamente tratada), exame físico do RN, VDRL do RN (títulos 4x maiores que o materno ou reagente se materno não reagente), líquor (celularidade, proteínas, VDRL), hemograma e radiografia de ossos longos.
O tratamento com Penicilina Cristalina por 10 dias é indicado para sífilis congênita confirmada ou provável, incluindo casos com líquor alterado, escore de Rodwell > 2, ou VDRL do RN com títulos 4x maiores que o materno, mesmo sem alterações clínicas.
Sífilis congênita provável ocorre quando há evidências clínicas, laboratoriais ou radiológicas de infecção no RN. Sífilis congênita possível ocorre quando a mãe teve sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, mas o RN não apresenta evidências de doença e tem exames normais, sendo considerado exposto.
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