Sífilis Congênita Assintomática: Conduta e Tratamento

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Recém-nascido (RN), filho de mãe com exame VDRL positivo (1:8) que não recebeu tratamento. Realizado VDRL do RN que veio 1:32. O RN está assintomático e não tem alterações observáveis no exame físico, no hemograma, na radiografia de ossos longos e no líquor.A melhor conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) acompanhar os títulos de VDRL até os seis meses de idade e, caso aumente, iniciar tratamento com penicilina G cristalina 50000 UI/Kg/dose, intravenosa, por 10 dias.
  2. B) realizar penicilina G benzatina 600000 UI, dose única e realizar seguimento ambulatorial até os dois anos de idade.
  3. C) iniciar tratamento com penicilina G cristalina, 50000 UI/kg/dose a cada 12 horas, nos primeiros 7 dias e a cada 8 horas a partir do sétimo dia até completar 10 dias de terapêutica.
  4. D) solicitar FTA-Abs e tratar, caso seja positivo, com penicilina G cristalina 50000 UI/Kg/dose a cada 12 horas por 14 dias.

Pérola Clínica

Sífilis congênita assintomática com VDRL RN ≥ 4x VDRL materno → Penicilina G cristalina 10 dias.

Resumo-Chave

O RN apresenta VDRL 1:32, enquanto a mãe tinha 1:8. Como o título do RN é 4 vezes maior que o materno (1:32 vs 1:8), mesmo assintomático e com exames normais, indica sífilis congênita e requer tratamento completo com penicilina G cristalina por 10 dias.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave, evitável, que resulta da transmissão vertical do Treponema pallidum da mãe para o feto. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para prevenir sequelas neurológicas, ósseas e outras complicações. A avaliação do recém-nascido (RN) exposto à sífilis materna é complexa e depende do tratamento materno, dos títulos de VDRL da mãe e do RN, e da presença de achados clínicos ou laboratoriais no RN. Neste caso, a mãe não foi tratada, e o VDRL do RN (1:32) é 4 vezes maior que o materno (1:8). Essa diferença de títulos, mesmo na ausência de sintomas ou alterações em exames complementares (hemograma, radiografia de ossos longos, líquor), é um critério para o diagnóstico de sífilis congênita e indica a necessidade de tratamento completo. O tratamento padrão para sífilis congênita confirmada ou altamente provável é a penicilina G cristalina intravenosa por 10 dias. A penicilina G benzatina é reservada para casos de sífilis congênita possível, com títulos de VDRL do RN iguais ou menores que os maternos, e com exames complementares normais, o que não se aplica a este cenário. O acompanhamento de títulos de VDRL sem tratamento inicial seria inadequado e perigoso.

Perguntas Frequentes

Quando um RN assintomático, filho de mãe com sífilis não tratada, deve ser tratado para sífilis congênita?

O tratamento é indicado se o VDRL do RN for reativo e o título for igual ou superior a 4 vezes o título materno, ou se houver qualquer alteração clínica ou laboratorial sugestiva de sífilis congênita.

Qual o tratamento de escolha para sífilis congênita em RN?

O tratamento de escolha é a penicilina G cristalina intravenosa, com dosagem e duração ajustadas conforme a apresentação clínica e laboratorial (10 dias para sífilis confirmada ou altamente provável).

Qual a dosagem da penicilina G cristalina para sífilis congênita?

Para sífilis congênita, a dose é de 50.000 UI/kg/dose, a cada 12 horas nos primeiros 7 dias de vida e a cada 8 horas a partir do 8º dia, completando 10 dias de tratamento.

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