Sífilis Congênita: Diagnóstico e Sinais Clínicos Chave

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

A mãe traz seu filho de 2 meses com quadro de irritabilidade e choro fácil. Relata não ter feito pré-natal e a criança nasceu com 35 semanas de parto normal com 2000 g e perímetro cefálico = 34,5 cm; comprimento = 46 cm. Ao exame físico percebe-se dor à mobilização de braço esquerdo com choro intenso, coriza mucossanguinolenta bilateral; presença de fissuras radiadas perioral, além de palidez cutâneo-mucosa e hepatoesplenomegalia com baço palpável a 3 cm do rebordo costal esquerdo. A radiografia de ossos longos evidenciou lesões osteolíticas em epífise e espessamento periosteal. Considerando os achados clínicos e radiológicos, qual a principal hipótese diagnóstica

Alternativas

  1. A) Sifílis congênita.
  2. B) Toxoplasmose congênita.
  3. C) Citomegalovirose congênita.
  4. D) Rubéola congênita.

Pérola Clínica

RN com coriza mucossanguinolenta + lesões ósseas + hepatoesplenomegalia + fissuras periorais = Sífilis Congênita.

Resumo-Chave

A sífilis congênita precoce (até 2 anos) apresenta um quadro clínico polimórfico. A tríade clássica de coriza mucossanguinolenta, lesões ósseas (osteocondrite, periostite) e hepatoesplenomegalia, somada às fissuras periorais e pseudoparalisia de Parrot (dor à mobilização), é altamente sugestiva dessa infecção.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente pelo Treponema pallidum, que pode causar morbidade e mortalidade significativas em recém-nascidos e lactentes. A ausência de pré-natal ou o tratamento inadequado da sífilis materna são os principais fatores de risco. As manifestações clínicas são variadas e dependem da idade de apresentação, sendo classificadas como precoces (até 2 anos) ou tardias (após 2 anos). No caso da sífilis congênita precoce, o quadro clínico pode ser polimórfico, mas alguns sinais são altamente sugestivos. A coriza mucossanguinolenta, as fissuras radiadas periorais (rágades), a hepatoesplenomegalia e a palidez cutâneo-mucosa são achados comuns. A dor à mobilização de membros, conhecida como pseudoparalisia de Parrot, é um sinal de osteocondrite ou periostite sifilítica, que pode ser confirmada por radiografias de ossos longos, revelando lesões osteolíticas e espessamento periosteal. O diagnóstico diferencial deve incluir outras infecções congênitas (toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, herpes), mas o conjunto de achados ósseos e cutâneo-mucosos é bastante específico para sífilis. O tratamento precoce com penicilina é curativo e essencial para prevenir sequelas neurológicas e de desenvolvimento a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da sífilis congênita precoce?

Os sinais clássicos incluem coriza mucossanguinolenta ("snuffles"), lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, fissuras periorais), osteocondrite/periostite (causando pseudoparalisia de Parrot), hepatoesplenomegalia e linfadenopatia.

Como a radiografia de ossos longos auxilia no diagnóstico da sífilis congênita?

A radiografia de ossos longos pode revelar osteocondrite, periostite, lesões osteolíticas e metafisárias, que são achados patognomônicos da sífilis congênita e ajudam a confirmar a suspeita clínica.

Qual a importância do pré-natal no controle da sífilis congênita?

Um pré-natal adequado com rastreamento e tratamento da sífilis materna é crucial para prevenir a transmissão vertical e a ocorrência da sífilis congênita, que pode ter sequelas graves para o recém-nascido.

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