Sífilis Congênita: Transmissão e Impacto na Gestação

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

A sífilis congênita ainda representa um sério problema de saúde pública no Brasil. Sobre esta infecção, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O acometimento fetal é mais comum quando a infecção materna ocorre no primeiro trimestre da gestação.
  2. B) A infecção transplacentária pode ocorrer durante toda a gestação e em qualquer estágio de infecção materna.
  3. C) O teste treponêmico de amostra de cordão umbilical apresenta uma boa sensibilidade e especificidade.
  4. D) O VDRL é um bom marcador para diagnóstico no recém-nascido, mas não serve para seguimento.

Pérola Clínica

Sífilis congênita: Infecção transplacentária ocorre em qualquer estágio da gestação e infecção materna.

Resumo-Chave

A sífilis congênita é um sério problema de saúde pública, e a infecção transplacentária pode ocorrer em qualquer momento da gestação e em qualquer estágio da sífilis materna, o que reforça a importância do rastreamento e tratamento precoce.

Contexto Educacional

A sífilis congênita permanece como um grave problema de saúde pública no Brasil, com altas taxas de incidência e morbimortalidade. É uma infecção causada pela bactéria *Treponema pallidum*, transmitida da mãe para o feto via transplacentária. A principal característica e um ponto crucial para a compreensão da doença é que a infecção transplacentária pode ocorrer em qualquer estágio da gestação e em qualquer estágio da infecção materna, seja ela primária, secundária, latente ou terciária. Isso ressalta a importância vital do diagnóstico e tratamento precoces durante o pré-natal. O acometimento fetal é mais grave e frequente quando a infecção materna ocorre nos estágios iniciais da gestação e da doença materna, devido à maior espiroquetemia. No entanto, a transmissão pode ocorrer a qualquer momento, e a ausência de tratamento adequado em qualquer fase da gravidez pode resultar em aborto espontâneo, natimorto, prematuridade ou sífilis congênita com manifestações clínicas variadas no recém-nascido, como lesões cutâneas, hepatoesplenomegalia, osteocondrite, anemia e hidrocefalia. O diagnóstico e seguimento da sífilis congênita no recém-nascido envolvem a avaliação clínica e exames laboratoriais. O VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) é um teste não treponêmico utilizado para diagnóstico e, principalmente, para monitorar a resposta ao tratamento. Testes treponêmicos (como FTA-Abs ou TPPA) em amostras de cordão umbilical ou do recém-nascido não são adequados para o diagnóstico de sífilis congênita, pois detectam anticorpos IgG maternos que atravessam a placenta e podem estar presentes mesmo em recém-nascidos não infectados. A interpretação de todos os exames deve ser feita em conjunto com a história clínica materna e o tratamento recebido.

Perguntas Frequentes

Em que momento da gestação a sífilis pode ser transmitida da mãe para o feto?

A infecção transplacentária da sífilis pode ocorrer em qualquer estágio da gestação, desde o primeiro trimestre até o termo, e em qualquer estágio da infecção materna (primária, secundária, latente ou terciária).

Qual a importância do rastreamento da sífilis durante o pré-natal?

O rastreamento precoce e o tratamento adequado da sífilis na gestante são cruciais para prevenir a sífilis congênita, que pode causar aborto, natimorto, prematuridade e diversas sequelas graves no recém-nascido.

Quais exames são utilizados para o diagnóstico de sífilis congênita no recém-nascido e qual sua limitação?

O VDRL é um bom marcador para diagnóstico e seguimento no recém-nascido. Testes treponêmicos em amostra de cordão umbilical não são úteis para diagnóstico, pois detectam anticorpos maternos que podem ter sido transferidos passivamente.

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