SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Recém-nascido, sexo masculino, idade gestacional 39 semanas, adequado para idade gestacional, filho de mãe com sífilis adquirida durante a gestação. Histórico da genitora: iniciou pré‐natal com 5 semanas de gestação com teste rápido para sífilis positivo e VDRL 1:128, negou sintomas prévios de sífilis, fez tratamento com penicilina G benzatina IM, 1 vez por semana, durante 3 semanas. Após o tratamento fez coletas regulares de VDRL: final do 1o trimestre: 1:32; 2o trimestre: 1:8, 3o trimestre 1:4, parto: 1:8. recém‐nascido com exame físico normal e VDRL de 1:4:
Mãe tratada adequadamente + VDRL RN < VDRL mãe + Exame físico normal = Criança exposta, sem tratamento.
O tratamento materno é adequado se feito com penicilina, iniciado >30 dias antes do parto, com esquema correto para o estágio e queda documentada dos títulos.
O manejo da sífilis na gestação é uma prioridade de saúde pública para evitar a transmissão vertical. No caso apresentado, a mãe recebeu o tratamento correto (3 doses de benzatina para sífilis de duração ignorada/latente), iniciou precocemente e apresentou resposta sorológica adequada (queda de 1:128 para 1:8). O recém-nascido, ao nascimento, apresentou exame físico normal e VDRL de 1:4, que é menor ou igual ao título materno no parto (1:8). Portanto, ele não preenche critérios para sífilis congênita, sendo classificado apenas como 'criança exposta'. A conduta correta é o acompanhamento clínico e laboratorial, sem necessidade de antibioticoterapia ou exames complementares exaustivos no momento.
Para ser considerado adequado, o tratamento materno deve: 1) Ser realizado com Penicilina G Benzatina; 2) Ter o esquema de doses correto para o estágio clínico da sífilis; 3) Ter sido iniciado pelo menos 30 dias antes do parto; 4) Ter documentação de queda dos títulos de VDRL. Se qualquer um desses critérios não for preenchido, o tratamento é considerado inadequado para fins de avaliação do recém-nascido.
É considerado caso de sífilis congênita se: o recém-nascido for filho de mãe com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada; OU se o RN tiver exame físico alterado, líquor alterado ou alterações radiológicas; OU se o VDRL do RN for maior que o da mãe em pelo menos duas diluições (ex: mãe 1:4 e RN 1:16); OU se houver detecção direta do Treponema pallidum em amostras biológicas.
Crianças expostas (mães adequadamente tratadas e RN assintomático com VDRL menor ou igual ao materno) não necessitam de tratamento imediato ou exames invasivos (como punção lombar). O seguimento ambulatorial é obrigatório, com consultas mensais e realização de VDRL seriado (geralmente aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses) até que o teste se torne negativado.
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