Sífilis Congênita: Conduta no Recém-Nato de Mãe com VDRL+

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Ao passar visita em recém-nato no alojamento conjunto, médico verifica que mãe não fez pré-natal e tem VDRL= 1:2 na ocasião da internação. A conduta para com o RN será:

Alternativas

  1. A) solicitar hemograma, RX de ossos longos, VDRL e fazer punção lombar.
  2. B) solicitar o VDRL de cordão umbilical e aguardar para decidir a conduta. 
  3. C) solicitar hemograma, RX de ossos longos e VDRL de sangue periférico.
  4. D) dispenar exames, pois o RN é assintomatico e a mãe relata ter sido tratada para sífilis na gestação.
  5. E) solicitar FTABs da mãe e colher sangue do RN apenas se o exame dela resultar positivo.

Pérola Clínica

Mãe com VDRL 1:2 sem pré-natal → RN assintomático requer investigação completa para sífilis congênita.

Resumo-Chave

Em recém-natos de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, mesmo que o RN seja assintomático, é obrigatória a investigação completa para sífilis congênita. Isso inclui exames como hemograma, RX de ossos longos, VDRL de sangue periférico e punção lombar para análise do líquor.

Contexto Educacional

A sífilis congênita continua sendo um grave problema de saúde pública no Brasil, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A transmissão vertical do *Treponema pallidum* pode ocorrer em qualquer fase da gestação, resultando em aborto, natimorto ou sífilis congênita no recém-nato (RN). O diagnóstico e a conduta adequados no RN são cruciais para prevenir sequelas graves. A investigação de sífilis congênita em RN é obrigatória quando a mãe não realizou pré-natal, teve sífilis não tratada ou inadequadamente tratada, ou quando o tratamento foi realizado em tempo insuficiente antes do parto. Mesmo que o RN seja assintomático, a propedêutica deve ser completa, incluindo VDRL de sangue periférico do RN, hemograma (para anemia, trombocitopenia, leucocitose), radiografia de ossos longos (para osteocondrite, periostite) e punção lombar para análise do líquor (para neurossífilis). O VDRL de cordão umbilical não é recomendado devido à possibilidade de contaminação com sangue materno. A conduta terapêutica dependerá dos resultados desses exames e da avaliação do tratamento materno. A penicilina cristalina é o tratamento de escolha. Para residentes, é fundamental dominar o protocolo de investigação e tratamento da sífilis congênita, pois a identificação precoce e o manejo correto impactam diretamente o prognóstico do RN e a saúde pública.

Perguntas Frequentes

Quais exames são essenciais na investigação de sífilis congênita em RN?

Os exames essenciais incluem VDRL de sangue periférico do RN, hemograma completo, radiografia de ossos longos (para osteocondrite/periostite) e punção lombar para análise do líquor (para neurossífilis).

Quando um RN é considerado exposto à sífilis e necessita de investigação?

Um RN é considerado exposto e necessita de investigação quando a mãe tem sífilis não tratada, inadequadamente tratada, ou quando o tratamento materno não foi documentado ou ocorreu menos de 30 dias antes do parto.

Por que a punção lombar é importante na sífilis congênita, mesmo em RN assintomáticos?

A punção lombar é crucial para descartar neurossífilis, uma forma grave da doença que pode ser assintomática ao nascimento e requer um regime de tratamento mais prolongado e específico.

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