IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Gestante de 24 anos dá à luz um RN do sexo masculino, através de cesariana, com 4.190 g e estatura de 51 cm, com 40 semanas de gestação. A mãe fez pré-natal (8 consultas) e seu cartão de pré-natal registra tratamento com penicilina benzatina 2.400.000 UI, em três doses, tendo terminado o tratamento um mês antes do parto. Sorologias registradas: VDRL positivo, com títulos de 1:128 (ao diagnóstico no segundo mês de gestação), 1:16 (3º mês de gestação) e 1:8 (quarto mês de gestação). Na admissão, mãe apresenta teste rápido para HIV negativo e VDRL positivo num título de 1:16. O RN suga bem o seio materno, e tem VDRL positivo em título de 1:8, sendo submetido a tratamento com penicilina cristalina por 10 dias. É realizado hemograma completo, radiografia de ossos longos e fundo de olho, todos sem alterações. É, então, submetido à punção liquórica, que mostra 4 células/mm³ , glicorraquia de 49 mg/dl e proteinorraquia de 48 mg/dl, com VDRL não reator. Em relação a esse caso, podemos afirmar que:
Mãe tratada adequadamente + RN VDRL < Mãe → Seguimento rigoroso até negativação.
Mesmo com tratamento materno adequado, o recém-nascido exposto requer avaliação clínica e laboratorial. Se houver qualquer dúvida ou alteração, o tratamento pleno é indicado, seguido de monitoramento sorológico trimestral para garantir a cura.
A sífilis congênita continua sendo um desafio de saúde pública no Brasil. O manejo do recém-nascido depende fundamentalmente do histórico de tratamento materno durante o pré-natal. Um tratamento materno adequado reduz drasticamente o risco de transmissão vertical, mas não o anula completamente, exigindo vigilância laboratorial do lactente. O protocolo do Ministério da Saúde enfatiza que recém-nascidos de mães adequadamente tratadas, mas com VDRL reagente (mesmo que em títulos baixos), devem ser avaliados. Se a investigação for normal, o acompanhamento ambulatorial é a regra. Se houver qualquer alteração ou impossibilidade de seguimento, o tratamento medicamentoso deve ser instituído precocemente para evitar sequelas tardias.
O tratamento é considerado adequado quando realizado com penicilina benzatina, na dose apropriada para o estágio da doença, iniciado pelo menos 30 dias antes do parto, e com queda documentada dos títulos de VDRL. No caso apresentado, a mãe recebeu três doses de 2.400.000 UI e terminou um mês antes do parto, com queda de 1:128 para 1:16, preenchendo os critérios de adequação.
O seguimento deve ser realizado com testes não treponêmicos (VDRL) aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses de vida. A interrupção do seguimento só ocorre após dois exames negativos consecutivos. Se houver persistência de títulos após os 6 meses ou ascensão de títulos em qualquer momento, deve-se proceder com nova investigação completa, incluindo punção liquórica e retratamento.
A penicilina cristalina é indicada quando há alterações clínicas, radiológicas (ossos longos), hematológicas ou liquóricas (neurossífilis) no recém-nascido, ou quando o título do VDRL do RN é superior ao materno em pelo menos duas diluições. No caso clínico, apesar dos exames normais, optou-se pelo tratamento pleno, o que exige o seguimento sorológico rigoroso para confirmar a resposta terapêutica.
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