UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
À recepção pós-parto, recém-nascido encontra-se hidrópico, com lesões de pele papuloescamosas, algumas vesiculosas, difusas, inclusive nas palmas das mãos e planta dos pés. O AGENTE ETIOLÓGICO É:
RN hidrópico + lesões papuloescamosas/vesiculosas (palmas/plantas) = Sífilis congênita (Treponema pallidum).
A apresentação de um recém-nascido hidrópico com lesões cutâneas papuloescamosas e vesiculosas difusas, especialmente em palmas e plantas, é altamente sugestiva de sífilis congênita. O Treponema pallidum, agente etiológico da sífilis, é transmitido verticalmente e pode causar uma doença multissistêmica grave no feto e RN.
A sífilis congênita é uma infecção sistêmica causada pelo Treponema pallidum, transmitida da mãe para o feto durante a gestação ou no parto. É uma condição grave e prevenível, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada adequadamente. A incidência tem aumentado, reforçando a importância do rastreamento pré-natal. A transmissão vertical pode ocorrer em qualquer fase da gestação, mas é mais comum no segundo e terceiro trimestres. As manifestações clínicas no recém-nascido são variadas e podem ser precoces (até 2 anos) ou tardias (após 2 anos). A hidropsia fetal é uma forma grave da doença, indicando infecção disseminada e mau prognóstico. As lesões cutâneas, como o pênfigo sifilítico (lesões bolhosas em palmas e plantas), são clássicas da sífilis congênita precoce. Outros sinais incluem hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, osteocondrite e rinite sifilítica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da gestante com penicilina são fundamentais para prevenir a sífilis congênita. No recém-nascido, a investigação deve ser completa, e o tratamento com penicilina é curativo. A falha no tratamento materno ou o tratamento inadequado resultam em alto risco para o feto.
As manifestações cutâneas da sífilis congênita precoce incluem lesões maculopapulares, vesiculosas (pênfigo sifilítico), bolhosas e descamativas, especialmente em palmas e plantas. Podem haver também fissuras periorais (rágades) e condilomas planos.
A hidropsia fetal é uma complicação grave da sífilis congênita, caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquido em dois ou mais compartimentos fetais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico, edema de pele), indicando doença sistêmica avançada.
O diagnóstico é feito pela sorologia materna (VDRL/RPR e FTA-Abs/TPHA) e, no RN, por exame físico, sorologia (VDRL/RPR), hemograma, líquor e radiografia de ossos longos. O tratamento é com penicilina cristalina ou procaína, dependendo da classificação e envolvimento do SNC.
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