Sífilis Congênita: Avaliação e Diagnóstico no RN

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Nos RN de mães com Sífilis, adequadamente, tratada, deve-se realizar VDRL no sangue periférico e no RN com VDRL positivo com título superior ao materno e alterações clínicas, deve-se:

Alternativas

  1. A) realizar radiografia dos ossos longos e exame do líquor.
  2. B) iniciar tratamento com eritromicina ou com outro esquema não penicilínico.
  3. C) indicar acompanhamento ambulatorial, com VDRL sérico com 1 e 3 meses.
  4. D) esperar queda dos títulos sorológicos ou negativação dos exames para alta.

Pérola Clínica

RN com VDRL > materno e clínica de sífilis congênita → investigar acometimento ósseo e SNC (RX ossos longos, líquor).

Resumo-Chave

Em RN de mãe com sífilis tratada, um VDRL positivo com título superior ao materno e alterações clínicas sugerem sífilis congênita ativa. Nesses casos, a investigação deve ser aprofundada para avaliar o acometimento sistêmico, incluindo radiografia de ossos longos e exame do líquor, antes de iniciar o tratamento.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma infecção grave transmitida verticalmente, com consequências devastadoras para o recém-nascido se não for diagnosticada e tratada precocemente. Mesmo em casos de mães com tratamento 'adequado' durante a gestação, a avaliação do recém-nascido é fundamental, pois falhas no tratamento materno ou reinfecções podem ocorrer. O VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) no sangue periférico do RN é o exame inicial. A interpretação do VDRL no RN exige cautela, pois anticorpos maternos podem ser transferidos passivamente, resultando em um VDRL positivo sem infecção ativa. No entanto, um VDRL positivo com título superior ao materno (geralmente 4 vezes maior) ou a presença de manifestações clínicas compatíveis com sífilis congênita (como hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas, rinite serossanguinolenta, icterícia, anemia) são fortes indicativos de infecção ativa. Nesses cenários, a investigação deve ser aprofundada para determinar a extensão do acometimento. A radiografia de ossos longos é crucial para identificar osteocondrite e periostite, que são sinais comuns de sífilis congênita. O exame do líquor (punção lombar) é indispensável para descartar ou confirmar a neurossífilis, que exige um esquema de tratamento mais prolongado. Somente após essa avaliação completa é possível classificar o caso e instituir o tratamento adequado com penicilina, que é a droga de escolha.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de sífilis congênita em um recém-nascido?

Suspeita-se quando o RN apresenta VDRL positivo com título superior ao materno, ou quando há manifestações clínicas compatíveis, mesmo que a mãe tenha sido tratada.

Quais exames complementares são indicados na suspeita de sífilis congênita?

Além do VDRL sérico, são indicados radiografia de ossos longos para avaliar osteocondrite e periostite, e exame do líquor para investigar neurossífilis.

Qual o tratamento padrão para sífilis congênita?

O tratamento padrão é a penicilina cristalina intravenosa, com duração e esquema variando conforme a classificação do caso e o acometimento sistêmico.

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