CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Em relação à evolução natural da sífilis adquirida, qual das afirmações abaixo está CORRETA?
Sífilis latente = assintomática + sorologia positiva; Tardia se >2 anos ou tempo ignorado.
A sífilis é uma infecção sistêmica crônica onde o desaparecimento das lesões clínicas (primária ou secundária) não indica cura, mas sim progressão para fases de latência.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela espiroqueta Treponema pallidum. Sua história natural é dividida em estágios: primário (cancro), secundário (disseminação), latente (assintomático) e terciário (destrutivo). A compreensão desses estágios é crucial para o manejo clínico e epidemiológico, visto que a infectividade varia drasticamente entre as fases. Na prática médica, a fase latente representa um desafio diagnóstico, pois depende exclusivamente da sorologia. A distinção entre latente recente (< 2 anos) e tardia (> 2 anos) orienta o esquema terapêutico. O tratamento de escolha permanece a Penicilina G Benzatina, sendo a única droga com eficácia comprovada para atravessar a barreira placentária e tratar o feto em gestantes, além de prevenir a progressão para as formas graves da fase terciária.
A fase latente tardia é definida pela ausência de sinais e sintomas clínicos de sífilis, porém com persistência da sororreatividade (testes treponêmicos e não treponêmicos reagentes). Cronologicamente, é classificada como tardia quando a infecção ocorreu há mais de dois anos ou quando não se pode precisar a data do contágio. Esta fase pode durar décadas, sendo interrompida apenas pelo surgimento de manifestações da sífilis terciária, como a neurossífilis, sífilis cardiovascular ou gomas sifilíticas. É fundamental compreender que, embora assintomática, a infecção permanece ativa e o paciente necessita de tratamento adequado (Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, 3 doses semanais) para prevenir complicações graves a longo prazo.
O cancro duro, lesão característica da sífilis primária, surge no local de inoculação do Treponema pallidum e apresenta regressão espontânea em um período de 3 a 6 semanas, independentemente do tratamento. Essa involução ocorre devido à resposta imune local, mas não significa a eliminação do patógeno do organismo. Pelo contrário, o T. pallidum já sofreu disseminação hematogênica e linfática precocemente. Sem o tratamento antibiótico adequado, a bactéria continua a se multiplicar sistemicamente, levando o paciente inevitavelmente à fase secundária ou diretamente à fase latente, mantendo o risco de transmissão e o desenvolvimento de complicações futuras.
A sífilis secundária ocorre geralmente entre 6 semanas e 6 meses após a cicatrização do cancro primário. Caracteriza-se por uma intensa disseminação sistêmica do treponema, manifestando-se principalmente através de lesões cutâneo-mucosas (roséolas, pápulas palmoplantares, condiloma plano) que são altamente infectantes. Diferente do que algumas alternativas sugerem, o secundarismo apresenta manifestações sistêmicas frequentes, como linfadenopatia generalizada, febre baixa, mal-estar, cefaleia e mialgia. Pode haver acometimento de múltiplos órgãos, incluindo hepatite, periostite e meningite asséptica. O diagnóstico nesta fase é facilitado pela alta carga bacteriana e testes não treponêmicos (VDRL) com títulos geralmente elevados.
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