HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2022
Paciente masculino, 13 meses, com história de aos 4 meses foi internado por bronquiolite e desde então passou a apresentar episódios recorrentes de chiado no peito. Período inter crise sem sintomas. Frequenta creche desde os 6 meses. Pais e professores vacinados para COVID, e sem histórico de contaminação. Os processos fisiopatológicos mais provavelmente envolvidos nestes quadros são:
Lactente com chiado recorrente pós-bronquiolite → Obstrução brônquica e/ou déficit de clearance mucociliar.
Episódios recorrentes de chiado em lactentes, especialmente após um quadro de bronquiolite, frequentemente envolvem uma combinação de obstrução brônquica (devido a inflamação e edema das vias aéreas pequenas) e um possível déficit no clearance mucociliar, que dificulta a remoção de secreções e patógenos, perpetuando o ciclo de infecções e sibilância.
O chiado recorrente em lactentes é uma queixa comum na pediatria, gerando preocupação em pais e desafios diagnósticos para médicos. A história de bronquiolite prévia aos 4 meses, seguida por episódios de sibilância intermitente e assintomática no período intercrise, é altamente sugestiva de sibilância pós-viral ou asma do lactente. A frequência à creche aumenta a exposição a infecções virais, que são os principais gatilhos para esses episódios. A fisiopatologia desses quadros envolve principalmente a obstrução brônquica e, frequentemente, um déficit no clearance mucociliar. A obstrução brônquica ocorre devido à inflamação, edema e hipersecreção de muco nas pequenas vias aéreas, exacerbada pela hiperreatividade brônquica induzida por infecções virais (como o VSR na bronquiolite). Essa obstrução dificulta o fluxo de ar, gerando o chiado característico. O déficit do clearance mucociliar, seja primário (como na discinesia ciliar primária, embora menos provável com intercrise assintomática) ou secundário à inflamação viral, compromete a capacidade do sistema respiratório de remover secreções e patógenos. Isso predispõe a infecções recorrentes, que por sua vez perpetuam o ciclo de inflamação e obstrução. É crucial que o residente compreenda esses mecanismos para diferenciar de outras causas e propor um manejo adequado, que pode incluir broncodilatadores e, em alguns casos, corticoides inalatórios.
As principais causas incluem sibilância pós-viral (especialmente após bronquiolite), asma do lactente, refluxo gastroesofágico, aspiração de corpo estranho, malformações congênitas das vias aéreas e, mais raramente, fibrose cística ou discinesia ciliar primária.
A bronquiolite causa inflamação e edema das pequenas vias aéreas, levando à obstrução. Essa inflamação pode induzir hiperreatividade brônquica e disfunção do clearance mucociliar, predispondo a episódios subsequentes de sibilância com novas infecções virais.
Um clearance mucociliar ineficaz impede a remoção adequada de muco, detritos e patógenos das vias aéreas. Isso pode levar a infecções respiratórias mais frequentes e prolongadas, contribuindo para a inflamação crônica e a obstrução brônquica que causam o chiado.
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