SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
André Mathias, residente de Medicina e Família e Comunidade do primeiro ano, está em seu turno na sala de sintomáticos respiratórios quando recebe dona Rosane, acompanhada do filho Rafael, de 2 anos e 3 meses de idade, referindo queixa de mais um episódio de chiado no peito. Tais episódios têm se tornado mais recorrentes ao longo do tempo ocorrendo a cada 2 meses em média, sempre associados a quadro de infecção de vias aéreas superiores. Início aos 2 meses de idade em episódio de ''bronquite'' que necessitou internação. Faz uso de b2-agonista de curta duração nos episódios de crise. Ao exame, a única alteração encontrada são sibilos em todo hemitórax bilateralmente. Rafael não tem história de alterações de pele recorrentes ou sintomas sugestivos de rinite alérgica. O crescimento se apresenta no padrão adequado para idade. Os pais não apresentam história de asma ou atopias. Sobre o caso acima, marque a afirmativa correta.
Sibilância recorrente >2x/mês ou 2+ exacerbações graves/6m → Indicação de corticoide inalatório de manutenção para asma.
Rafael apresenta sibilância recorrente (a cada 2 meses) e histórico de internação por 'bronquite' aos 2 meses, indicando um quadro de asma ou sibilância persistente. O uso frequente de medicação de alívio e a recorrência de crises graves são critérios para iniciar terapia de manutenção com corticosteroides inalatórios, visando controle da inflamação e prevenção de exacerbações.
A sibilância recorrente na infância é uma queixa comum na pediatria, e seu manejo adequado é crucial. Embora muitos casos de sibilância em lactentes sejam transitórios e associados a infecções virais, uma parcela significativa evolui para asma, especialmente na presença de fatores de risco. O diagnóstico de asma em crianças menores de 5 anos é clínico, baseado na frequência e gravidade dos episódios de sibilância, resposta a broncodilatadores e exclusão de outras causas. O Índice Preditivo de Asma (API) pode auxiliar na identificação de crianças com maior risco de desenvolver asma persistente. O tratamento da asma e da sibilância recorrente em crianças envolve o manejo das crises agudas com beta-2 agonistas de curta duração e, em muitos casos, a terapia de manutenção com corticosteroides inalatórios para controlar a inflamação subjacente. A indicação de corticoide inalatório é baseada na frequência e gravidade dos sintomas, como o uso de medicação de alívio mais de duas vezes por semana ou a ocorrência de exacerbações graves frequentes, como descrito no caso de Rafael. A identificação e controle de fatores desencadeantes ambientais também são fundamentais.
Os critérios incluem uso de beta-2 agonista de curta duração 2 ou mais vezes por semana por >4 semanas, 2 ou mais exacerbações graves em 6 meses, ou 3 ou mais episódios de sibilância em 1 ano que afetam o sono.
A sibilância transitória geralmente ocorre em crianças menores de 3 anos, associada a infecções virais, e tende a desaparecer. A asma, por sua vez, persiste após os 3 anos, tem fatores atópicos e histórico familiar, e pode ser predita pelo Índice Preditivo de Asma (API).
Fatores de risco incluem história familiar de asma ou atopia, dermatite atópica, rinite alérgica, sensibilização a alérgenos, exposição a fumaça de tabaco, prematuridade e infecções virais respiratórias precoces.
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