UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Criança de 2 anos e 1 mês foi internada na Enfermaria proveniente da Emergência. Na lista de problemas, constava “quarto episódio de internação por bronquiolite viral aguda” (vírus isolado no primeiro episódio de sibilância: rinovírus). Revisando outros aspectos da história, verificou-se que a criança nascera a termo, tinha crescimento e desenvolvimento adequados, estava com as vacinas em dia e vinha em uso de hidratante para dermatite atópica. Frequentava a pré-escola em turno integral desde os 4 meses. Os pais eram hígidos, e o irmão de 12 anos fazia uso regular de formoterol, budesonida e tiotrópio inalatórios. A mãe relatou que o quadro agudo atual havia começado com coriza e tosse produtiva. Teve um pico febril de 37,9o C na chegada ao hospital, há 24 horas. Ao exame físico, apresentava bom estado geral, frequência respiratória de 38 mpm, tiragem subcostal leve e sibilos polifônicos expiratórios bilaterais. Oxímetro de pulso mostrou saturação de 96%, com suplementação de oxigênio por cânula nasal de baixo fluxo a 0,4 l/min. Radiografia de tórax revelou hiperinsuflação bilateral e opacidades intersticiais peri-hilares. Na prescrição da Emergência, estavam registrados os seguintes itens: (1) dieta por via oral; (2) oxigênio por cânula nasal de baixo fluxo a 0,4 l/min; (3) aspiração nasal, se necessário. Que modificação na prescrição médica deve ser feita por ocasião da admissão do paciente na Enfermaria?
Criança > 1 ano com sibilância recorrente, atopia e história familiar de asma → considerar asma e testar broncodilatador.
Em crianças maiores de 1 ano com múltiplos episódios de sibilância ('bronquiolite viral aguda recorrente'), especialmente na presença de fatores de risco para asma como dermatite atópica e história familiar de asma, deve-se considerar a possibilidade de asma. Nesses casos, a resposta a broncodilatadores (como salbutamol) é um importante critério diagnóstico e terapêutico.
A sibilância em crianças é um sintoma comum, mas sua etiologia pode variar. Enquanto a bronquiolite viral aguda é a causa mais frequente de sibilância em lactentes (< 1 ano), episódios recorrentes de sibilância em crianças maiores, especialmente após os 12-18 meses de idade, devem levantar a suspeita de asma. Fatores de risco como história familiar de asma ou atopia (dermatite atópica, rinite alérgica) aumentam significativamente a probabilidade de um diagnóstico de asma. O caso apresentado, com uma criança de 2 anos e 1 mês com o quarto episódio de internação por 'bronquiolite', rinovírus como agente etiológico (que é um gatilho comum para exacerbações de asma), dermatite atópica e irmão asmático, aponta fortemente para um quadro de asma induzida por vírus. A presença de sibilos e tiragem subcostal leve indica broncoespasmo, que é o alvo da terapia com broncodilatadores. Nesse contexto, a inclusão de salbutamol (um beta-2 agonista de curta ação) por spray com espaçador é a modificação mais apropriada na prescrição. O salbutamol atua relaxando a musculatura lisa das vias aéreas, aliviando o broncoespasmo e melhorando a respiração. A resposta a essa medicação pode, inclusive, auxiliar no diagnóstico de asma. Não há indicação para antibióticos, e a oxigenoterapia e a dieta oral parecem adequadas para o estado atual do paciente.
A suspeita de asma em crianças pequenas é elevada em casos de sibilância recorrente (>3 episódios), especialmente se houver história familiar de asma, atopia (dermatite atópica, rinite alérgica) ou eosinofilia.
O salbutamol é indicado para sibilância em crianças quando há evidência de broncoespasmo, especialmente em quadros de sibilância recorrente ou asma, para promover o alívio rápido dos sintomas respiratórios.
A dermatite atópica é um forte preditor de asma infantil, fazendo parte da 'marcha atópica'. Crianças com dermatite atópica têm maior risco de desenvolver asma e outras doenças alérgicas.
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