UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015
Lactente de quatro meses, sibila desde trinta dias de vida. O quadro iniciou-se, segundo sua mãe, ao nascimento. O mesmo apresenta-se desnutrido, choroso, regular estado geral. Segundo a responsável, a criança tosse muito, golfa em quantidade, vive com as mãos na boca e apresenta fezes muito fétidas e volumosas. Seu pai é asmático e a mãe apresenta rinite alérgica. Com esses dados iniciais, assinale a opção que contém as três hipóteses diagnósticas mais prováveis para esse lactente sibilante:
Lactente sibilante + desnutrição + fezes fétidas + RGE → suspeitar fibrose cística, RGE, asma.
A sibilância persistente em lactentes, especialmente associada a sintomas gastrointestinais como refluxo, vômitos e fezes anormais (fétidas, volumosas), e desnutrição, deve levantar a suspeita de condições sistêmicas como fibrose cística, além de causas mais comuns como RGE e asma, que podem coexistir.
A sibilância em lactentes é uma queixa comum, mas a persistência e a associação com outros sintomas exigem uma investigação aprofundada. Condições como a fibrose cística, o refluxo gastroesofágico (RGE) e a asma são as principais hipóteses a serem consideradas em casos complexos. A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva que afeta as glândulas exócrinas, levando a secreções espessas que obstruem ductos, causando sintomas respiratórios (sibilância, tosse crônica, infecções de repetição) e gastrointestinais (má absorção, desnutrição, fezes fétidas e volumosas). O RGE, por sua vez, pode causar sibilância por aspiração ou reflexo vagal, e a asma, embora mais comum em crianças maiores, pode se manifestar precocemente em lactentes com história familiar de atopia. O diagnóstico diferencial da sibilância em lactentes é amplo e inclui desde infecções virais comuns até malformações congênitas e doenças sistêmicas. A avaliação deve incluir uma anamnese detalhada, exame físico completo e exames complementares direcionados. A presença de desnutrição, fezes anormais e sintomas de RGE em um lactente sibilante é um forte indicativo para investigar fibrose cística (teste do suor, triagem neonatal) e otimizar o tratamento do RGE. A asma é um diagnóstico de exclusão em lactentes, mas a história familiar de atopia e a resposta a broncodilatadores podem sugerir sua presença. O manejo envolve o tratamento das condições subjacentes. Para fibrose cística, inclui reposição enzimática, suplementação vitamínica, fisioterapia respiratória e antibióticos. Para RGE, medidas posturais, dietéticas e, se necessário, medicamentos. A asma em lactentes é tratada com broncodilatadores e, em alguns casos, corticoides inalatórios. É crucial um acompanhamento multidisciplinar para garantir o desenvolvimento adequado e minimizar as complicações.
Sinais de alerta incluem sibilância persistente, desnutrição, fezes volumosas e fétidas (esteatorreia), e sintomas de refluxo gastroesofágico. A história familiar de atopia também é relevante.
O RGE pode causar sibilância por microaspirações do conteúdo gástrico para as vias aéreas, levando à inflamação e broncoespasmo, ou por reflexo vagal que induz broncoconstrição.
A história familiar de atopia (asma, rinite alérgica) aumenta a probabilidade de asma no lactente, mas não exclui outras causas, sendo importante para o diagnóstico diferencial.
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