MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 45 anos procura atendimento médico com queixa de episódios recorrentes de dor e aumento de volume na região submandibular esquerda nos últimos quatro meses. Relata que os sintomas são nitidamente desencadeados durante as refeições, especialmente ao ingerir alimentos ácidos, e que o inchaço costuma regredir espontaneamente após uma a duas horas do término da alimentação. Nega tabagismo ou etilismo. Ao exame físico, observa-se abaulamento endurecido e doloroso à palpação no assoalho da boca, adjacente à carúncula sublingual esquerda. À expressão bimanual da glândula, nota-se saída de saliva turva, sem secreção francamente purulenta. Não há febre ou sinais sistêmicos. A radiografia oclusal do assoalho bucal foi solicitada, porém não evidenciou imagem radiopaca. A ultrassonografia de região submandibular demonstra dilatação do ducto de Wharton com imagem hiperecogênica de 8mm com sombra acústica posterior. Considerando a fisiopatologia e o manejo desta condição, assinale a alternativa correta:
Glândula submandibular = Local mais comum de sialolitíase devido à saliva viscosa e ducto ascendente.
A sialolitíase submandibular manifesta-se com dor e edema pós-prandial. A glândula é predisposta pela alcalinidade, alta concentração de cálcio e trajeto tortuoso do ducto de Wharton.
A sialolitíase é a causa mais comum de tumefação inflamatória das glândulas salivares maiores. O quadro clássico de 'cólica salivar' ocorre porque a obstrução do ducto impede o escoamento da saliva produzida sob estímulo gustativo, gerando distensão dolorosa da cápsula glandular. Neste caso, a ultrassonografia foi fundamental, pois revelou um cálculo de 8mm que não era visível ao raio-x (indicando baixa radiopacidade). A compreensão da anatomia do ducto de Wharton, que contorna o músculo milo-hioideo e segue um trajeto ascendente, explica a predisposição desta glândula. O tratamento moderno prioriza a preservação glandular através de técnicas endoscópicas ou extração cirúrgica dirigida, evitando as complicações de uma sialoadenectomia, como a lesão do nervo marginal da mandíbula ou do nervo lingual.
A glândula submandibular responde por cerca de 80% a 90% dos casos de sialolitíase. Isso ocorre devido a fatores anatômicos e químicos: 1) O ducto de Wharton é mais longo, largo e possui um trajeto ascendente (contra a gravidade) em direção ao assoalho da boca; 2) A saliva submandibular é mais alcalina e possui maior concentração de cálcio e fosfato, facilitando a precipitação de sais; 3) A secreção é mais viscosa devido ao maior conteúdo de mucina, o que favorece a estase salivar e a formação do núcleo orgânico do cálculo.
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de dor e aumento de volume glandular desencadeados pela alimentação (cólica salivar). Ao exame físico, a palpação bimanual do assoalho da boca pode revelar o cálculo. Exames de imagem confirmam a suspeita: a ultrassonografia é excelente para detectar cálculos >2mm (imagens hiperecogênicas com sombra acústica). A radiografia oclusal é útil, mas falha em cálculos radiotransparentes. Atualmente, a TC sem contraste é considerada o padrão-ouro por sua alta sensibilidade, enquanto a sialoendoscopia atua tanto no diagnóstico quanto no tratamento.
O tratamento depende do tamanho e localização do cálculo. Cálculos pequenos e distais podem ser expelidos com medidas conservadoras (sialagogos, hidratação, massagem glandular). Cálculos palpáveis no ducto distal podem ser removidos via transoral (sialolitotomia). Para cálculos proximais ou intraglandulares, a sialoendoscopia é a técnica de escolha por ser minimamente invasiva. A sialoadenectomia (remoção da glândula) é reservada para casos de cálculos múltiplos, intraglandulares de difícil acesso ou quando há atrofia glandular e infecções de repetição (sialoadenite crônica).
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