Manejo de Seroma em Pós-Operatório de Abdominoplastia

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Paciente, em pós-operatório de abdominoplastia, teve o dreno de Hemovac retirado no quarto dia pós-operatório. No sétimo dia de pós-operatório, apresentou abaulamento importante da ferida operatória, com dor local e pontos na porção mais tensa da ferida querendo abrir. Procurou emergência para avaliação cirúrgica. Negava febre. No exame físico, o abdômen estava tenso na sua parede, orifícios do dreno de aspecto normal e ferida operatória abaulada com discreta hiperemia ao redor dos pontos mais tensos. O diagnóstico mais provável e a primeira conduta terapêutica mais adequada, nesse caso, consistem, respectivamente, em:

Alternativas

  1. A) Abscesso / antibioticoterapia venosa.
  2. B) Linforreia / manutenção do uso da cinta compressiva.
  3. C) Hematoma / drenagem aberta com retirada dos pontos.
  4. D) Seroma residual / aspiração da coleção de maneira estéril.

Pérola Clínica

Abaulamento indolor + sem febre + flutuação no 7º PO de abdominoplastia = Seroma.

Resumo-Chave

O seroma é o acúmulo de fluido serosanguinolento no espaço morto. O tratamento padrão é a aspiração estéril para evitar deiscência e infecção.

Contexto Educacional

O seroma é a complicação mais comum em cirurgias que envolvem grandes descolamentos teciduais, como a abdominoplastia. Ele resulta do acúmulo de linfa e soro no espaço morto criado entre o retalho dermogorduroso e a aponeurose muscular. Fatores como trauma cirúrgico excessivo, uso inadequado de drenos e falta de compressão externa contribuem para sua formação. A apresentação clínica clássica é o abaulamento indolor com sinal de 'piparote' positivo. O diagnóstico diferencial inclui hematoma (precoce e doloroso) e abscesso (acompanhado de febre, calor local e leucocitose). O manejo preventivo envolve o uso de pontos de adesão (pontos de Baroudi), que reduzem o espaço morto, e a manutenção de drenos de sucção até que o débito seja baixo. Uma vez instalado, a aspiração estéril é mandatória para aliviar a tensão sobre a cicatriz e prevenir a deiscência de sutura ou a infecção secundária da coleção.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar seroma de hematoma no pós-operatório?

O hematoma geralmente ocorre nas primeiras 24-48 horas após a cirurgia, apresentando dor intensa, equimose importante e aumento súbito de volume. Já o seroma costuma aparecer mais tardiamente (entre o 5º e 10º dia), é caracterizado por um abaulamento com sinal de flutuação (piparote), geralmente indolor ou com desconforto leve, e sem alterações inflamatórias sistêmicas como febre.

Qual a conduta imediata diante de um seroma volumoso?

A conduta de escolha é a aspiração percutânea com agulha de grosso calibre sob técnica estéril. Em casos volumosos ou recidivantes, a aspiração pode precisar ser repetida em consultas subsequentes. O uso de malhas compressivas é fundamental para ajudar a obliterar o espaço morto e prevenir o novo acúmulo de líquido.

Quando o seroma deve ser tratado cirurgicamente?

A reintervenção cirúrgica é reservada para casos de seroma encapsulado (pseudobursa), onde se forma uma cápsula fibrosa que impede a reabsorção do líquido e a adesão dos tecidos. Nesses casos, a simples aspiração falha e é necessária a capsulectomia cirúrgica para permitir a cicatrização definitiva.

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