USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Mulher, 63 anos de idade, foi submetida à correção de hérnia incisional de laparotomia mediana. Foi feita a correção da hérnia com colocação de tela pré-aponeurótica (onlay) e drenagem fechada do subcutâneo. Recebeu alta hospitalar no 4º pós-operatório após a retirada do dreno. A paciente retorna em consulta ambulatorial, 7 dias após a alta, com queixa de abaulamento na incisão. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral; abdome flácido, indolor à palpação, presença de coleção líquida no subcutâneo, sem sinais inflamatórios.Ultrassom de parede abdominal apresentado. Qual deve ser a conduta neste momento?
Abaulamento pós-cirurgia de hérnia com tela, sem sinais inflamatórios = seroma → manejo conservador com cinta abdominal.
A presença de uma coleção líquida no subcutâneo (seroma) após correção de hérnia incisional com tela, especialmente na posição onlay, é uma complicação comum. Na ausência de sinais inflamatórios (dor, calor, rubor), a conduta inicial mais adequada é conservadora, com uso de cinta abdominal para compressão, que auxilia na reabsorção do líquido e previne o acúmulo excessivo.
O seroma é uma complicação comum após cirurgias que envolvem dissecção de grandes planos teciduais, como a correção de hérnias incisionais com colocação de tela, especialmente quando a tela é posicionada no plano pré-aponeurótico (onlay). Ele consiste no acúmulo de líquido seroso estéril no espaço morto criado pela cirurgia. Embora geralmente benigno, pode causar desconforto, atrasar a cicatrização e, em casos raros, servir como meio de cultura para infecções. O diagnóstico do seroma é primariamente clínico, caracterizado por um abaulamento flácido e indolor na incisão, sem sinais inflamatórios. A ultrassonografia de parede abdominal é um exame complementar útil para confirmar a presença e o volume da coleção líquida, além de descartar outras complicações como hematoma ou abscesso. A diferenciação entre seroma e abscesso é crucial, pois a conduta é completamente distinta. Na ausência de infecção, a conduta inicial para seromas é conservadora. O uso de uma cinta abdominal ou bandagem compressiva é a medida mais indicada, pois a compressão externa ajuda a reduzir o espaço morto e promove a reabsorção do líquido. Aspirações seriadas podem ser necessárias para seromas volumosos ou sintomáticos, mas devem ser realizadas com técnica estéril para minimizar o risco de infecção. A recolocação de dreno ou abertura da incisão são medidas mais invasivas e geralmente reservadas para seromas persistentes, refratários ou infectados.
Um seroma geralmente se apresenta como um abaulamento ou inchaço na região da incisão cirúrgica, que é flácido e indolor à palpação. Diferentemente de um abscesso, não há sinais de inflamação como dor intensa, calor, rubor ou febre, e o líquido é estéril.
A cinta abdominal exerce compressão sobre a área do seroma, o que ajuda a reduzir o espaço morto onde o líquido pode se acumular e facilita a reabsorção do seroma pelo corpo. É uma medida conservadora eficaz para seromas pequenos a moderados e não infectados.
Seromas muito grandes, sintomáticos (causando dor ou desconforto significativo), que não respondem à compressão, ou que apresentam sinais de infecção (transformando-se em abscesso) podem requerer aspiração por agulha ou, em casos raros e refratários, drenagem cirúrgica ou recolocação de dreno.
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