Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Menina, 3 anos de idade, tem diagnóstico de anemia falciforme. Desde o exame do pezinho, realiza profilaxia antibiótica e tem hemoglobina basal de 9,5 g/dL. A vacinação está completa. Há 2 dias, está chorosa, come e brinca pouco e queixa-se de dor abdominal. Hoje apresentou 1 pico febril medido em 38 ºC. Ao exame, está prostrada, com palidez cutaneomucosa, anictérica, FC = 128 bpm, FR = 32 mrm. O fígado é palpável a 2 cm do RCD e o baço a 4 cm do RCE. O resultado da dosagem de Hb é 5,8 g/dL, e o de HT é 18%. A hipótese diagnóstica adequada ao quadro clínico apresentado é
Anemia falciforme + queda súbita Hb + esplenomegalia + choque → Sequestro Esplênico. Urgência médica!
O sequestro esplênico agudo é uma complicação grave e potencialmente fatal da anemia falciforme, especialmente em crianças pequenas. Caracteriza-se por uma queda abrupta da hemoglobina, acompanhada de esplenomegalia e sinais de hipovolemia ou choque. A dor abdominal e a prostração são sintomas comuns que indicam a gravidade do quadro.
O sequestro esplênico agudo é uma das complicações mais graves da anemia falciforme, especialmente prevalente em crianças menores de 5 anos. Caracteriza-se pela retenção maciça de sangue no baço, levando a uma queda abrupta da hemoglobina e, consequentemente, a um quadro de hipovolemia e choque. O reconhecimento precoce é vital, pois a condição pode ser rapidamente fatal se não tratada. Residentes devem estar atentos aos sinais de alerta em pacientes com anemia falciforme, como palidez súbita, dor abdominal e aumento do volume abdominal. Fisiopatologicamente, a deformidade dos eritrócitos falciformes impede sua passagem normal pela microcirculação esplênica, resultando em acúmulo e aprisionamento de grandes volumes de sangue no baço. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de anemia falciforme conhecida, queda súbita da hemoglobina (pelo menos 2 g/dL abaixo do basal) e esplenomegalia. A febre e a prostração são sintomas inespecíficos, mas que, no contexto de uma criança falciforme, devem levantar a suspeita. A palpação do baço é fundamental no exame físico. O manejo emergencial do sequestro esplênico inclui a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e, crucialmente, a transfusão de concentrado de hemácias para restaurar o volume sanguíneo e a capacidade de transporte de oxigênio. A monitorização contínua dos sinais vitais e da hemoglobina é essencial. A prevenção de recorrências pode envolver transfusões crônicas ou esplenectomia em casos selecionados. Para a prova, é importante diferenciar o sequestro esplênico de outras crises, como a aplásica (associada ao Parvovírus B19 e reticulocitopenia) e a álgica (sem queda significativa de Hb e sem esplenomegalia progressiva).
Os critérios diagnósticos incluem uma queda aguda da hemoglobina de pelo menos 2 g/dL em relação ao valor basal do paciente, esplenomegalia palpável e, frequentemente, sinais de hipovolemia ou choque. A presença de dor abdominal e prostração também são indicativos importantes.
O sequestro esplênico é uma emergência devido à rápida e maciça retenção de sangue no baço, o que pode levar a uma hipovolemia grave, choque e, se não tratado prontamente, à morte. A queda súbita da hemoglobina exige intervenção rápida, geralmente com transfusão sanguínea.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e transfusão de concentrado de hemácias para corrigir a anemia e a hipovolemia. Em casos recorrentes ou graves, a esplenectomia pode ser considerada como medida preventiva.
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