Sequestro Esplênico na Anemia Falciforme: Diagnóstico e Conduta

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Uma criança do sexo feminino, com 1 ano e 2 meses de vida, acometida por anemia falciforme, foi levada ao pronto-socorro por palidez súbita há 1 hora e letargia. Estava resfriada há 4 dias. Exame físico: descorada 3+/4+; hipoativa; FC 160 bpm; PA 68x30 mmHg; e esplenomegalia. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a hipótese diagnóstica e a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Crise álgica; administração de morfina.
  2. B) Crise aplásica, transfusão de concentrado de hemácias.
  3. C) Crise aplásica, imunoglobulina.
  4. D) Sequestro esplênico, transfusão de concentrado de hemácias.
  5. E) Sequestro esplênico, morfina.

Pérola Clínica

Palidez súbita + Esplenomegalia + Choque em falciforme = Sequestro Esplênico → Transfusão imediata.

Resumo-Chave

O sequestro esplênico é uma emergência hematológica na anemia falciforme caracterizada pelo represamento de sangue no baço, levando a choque hipovolêmico e queda rápida da hemoglobina.

Contexto Educacional

O sequestro esplênico agudo representa uma das principais causas de mortalidade em crianças com anemia falciforme. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de queda de hemoglobina (pelo menos 2 g/dL abaixo do basal), reticulocitose e aumento súbito do baço. O reconhecimento precoce é vital, pois o choque pode se instalar em poucas horas. No manejo de emergência, a prioridade é a restauração do volume circulante. A transfusão de hemácias não apenas corrige a anemia, mas também ajuda a 'mobilizar' o sangue sequestrado no baço. É fundamental orientar os pais sobre a palpação do baço em casa para detecção precoce de novos episódios, garantindo que a criança receba atendimento imediato em caso de aumento da víscera ou palidez súbita.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia do sequestro esplênico agudo?

O sequestro esplênico ocorre quando uma grande quantidade de hemácias falciformes fica retida abruptamente nos sinusoides esplênicos. Esse represamento causa um aumento rápido do volume do baço (esplenomegalia) e uma queda drástica na hemoglobina circulante, resultando em hipovolemia grave e choque. É uma complicação comum em crianças pequenas com anemia falciforme (geralmente entre 5 meses e 2 anos) que ainda possuem baço funcional, antes que a autoesplenectomia por infartos repetidos ocorra. O quadro pode ser desencadeado por infecções virais precedentes, como observado no caso clínico.

Como diferenciar o sequestro esplênico da crise aplásica?

A diferenciação é clínica e laboratorial. No sequestro esplênico, há esplenomegalia importante e dolorosa, acompanhada de reticulocitose (tentativa da medula de compensar a perda). Já na crise aplásica, geralmente causada pelo Parvovírus B19, há uma parada temporária da produção de hemácias na medula óssea; clinicamente, o paciente apresenta palidez e queda de hemoglobina, mas o baço não está aumentado e os reticulócitos estão muito baixos ou zerados. Ambas são emergências, mas o sequestro evolui muito mais rapidamente para o choque circulatório.

Qual a conduta imediata e definitiva no sequestro esplênico?

A conduta imediata foca na estabilização hemodinâmica com expansão volêmica cautelosa e transfusão de concentrado de hemácias. A transfusão deve ser feita com cuidado para não elevar excessivamente a hemoglobina, pois o sangue sequestrado no baço pode retornar à circulação após a melhora do quadro, causando hiperviscosidade. Como o sequestro esplênico apresenta alta taxa de recorrência (cerca de 50%), a esplenectomia cirúrgica é frequentemente indicada após o primeiro ou segundo episódio grave, uma vez que a recorrência pode ser fatal.

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