Sequência TRAP: Fisiopatologia e Riscos do Gêmeo Acárdico

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta, 18 semanas de gestação, é encaminhada para pré-natal de alto risco, após diagnóstico de gestação gemelar com um dos fetos acárdico. Sobre essa condição, afirma-se:I. A perfusão sanguínea intrauterina do gêmeo acárdico se mantém graças à presença de anastomose arterio-arterial com o feto normal.II. O gemelar normal pode morrer em decorrência de insuficiência cardíaca congestiva, uma vez que atua como bomba de perfusão para o feto acárdico.III. Devido ao oligodrâmnio frequente, a gestação apresenta risco acrescido de compressão de cordão, com morte do feto normal. Estão corretas as afirmativas

Alternativas

  1. A) I e II, apenas.
  2. B) I e III, apenas.
  3. C) II e III, apenas.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

Sequência TRAP: gêmeo acárdico perfundido por anastomose arterio-arterial do feto bomba, que pode desenvolver ICC e polidrâmnio.

Resumo-Chave

A sequência de perfusão arterial reversa de gêmeos (TRAP, ou gêmeo acárdico) é uma complicação rara de gestações monocoriônicas. O gêmeo acárdico (receptor) é perfundido de forma retrógrada pelo gêmeo normal (bomba) através de anastomoses arterio-arteriais. Isso impõe uma sobrecarga cardíaca significativa ao feto bomba, que pode levar à insuficiência cardíaca congestiva e, consequentemente, ao polidrâmnio, não ao oligodrâmnio.

Contexto Educacional

A sequência de perfusão arterial reversa de gêmeos (TRAP), também conhecida como gêmeo acárdico, é uma complicação rara e grave de gestações monocoriônicas, com uma incidência de aproximadamente 1 em 35.000 nascimentos. É caracterizada pela presença de um feto com desenvolvimento cardíaco e/ou de membros gravemente anômalo ou ausente (gêmeo acárdico), que é perfundido de forma retrógrada pelo seu irmão (gêmeo bomba) através de anastomoses vasculares placentárias. A importância clínica reside no alto risco de morbimortalidade para o gêmeo bomba, que é o único feto viável. A fisiopatologia central da sequência TRAP envolve a presença de anastomoses arterio-arteriais e veno-venosas na placenta monocoriônica. O gêmeo bomba, que possui um coração funcional, é forçado a bombear sangue para si e para o gêmeo acárdico, que atua como um 'parasita'. Essa sobrecarga hemodinâmica impõe um estresse significativo ao coração do gêmeo bomba, levando a um aumento do débito cardíaco, cardiomegalia, e, eventualmente, insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e hidropsia fetal. O diagnóstico é feito por ultrassonografia, que revela um feto com anomalias graves e ausência de atividade cardíaca, e outro feto aparentemente normal com sinais de sobrecarga cardíaca. O tratamento da sequência TRAP visa proteger o gêmeo bomba. A conduta depende da idade gestacional e do grau de comprometimento do feto bomba. Em casos de sinais de ICC ou hidropsia, a interrupção da perfusão para o gêmeo acárdico (geralmente por oclusão do cordão umbilical via radiofrequência ou laser) é a principal intervenção para melhorar o prognóstico do feto bomba. É crucial o acompanhamento rigoroso com ultrassonografias seriadas para monitorar o feto bomba e identificar precocemente sinais de descompensação, pois o polidrâmnio é uma complicação comum devido ao aumento do débito urinário do feto bomba, e não o oligodrâmnio.

Perguntas Frequentes

O que é a sequência de perfusão arterial reversa de gêmeos (TRAP)?

A sequência TRAP, ou gêmeo acárdico, é uma complicação rara de gestações gemelares monocoriônicas, onde um feto (acárdico) não desenvolve um coração funcional e é perfundido de forma retrógrada pelo outro feto (bomba) através de anastomoses vasculares na placenta. O feto acárdico é anômalo e inviável.

Quais são os riscos para o feto 'bomba' na sequência TRAP?

O feto 'bomba' assume a circulação de ambos os fetos, o que impõe uma sobrecarga cardíaca significativa. Isso pode levar a insuficiência cardíaca congestiva, hidropsia fetal e, em casos graves, à morte intrauterina do feto bomba. O polidrâmnio é uma complicação comum devido ao aumento do débito urinário do feto bomba.

Como é feito o manejo da sequência TRAP?

O manejo depende da idade gestacional e do grau de comprometimento do feto bomba. Pode incluir a observação cuidadosa com ultrassonografias seriadas para monitorar o feto bomba. Em casos de sinais de insuficiência cardíaca ou hidropsia no feto bomba, a intervenção (como a oclusão do cordão do feto acárdico por radiofrequência ou laser) pode ser considerada para salvar o feto saudável.

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